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Hei-de
ser Político, sim... Julho/Agosto
05
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Uma geração de “choque”!
Julho/Agosto
05
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Saber
governar é bonito... Junho
05
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A
União para a paz Junho
05
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Os
“fundamentalistas” católicos! Maio
05
-
A
RTPi da nossa angústia Maio
05
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Terrorismo!
A “moral” do desespero Abril
05
-
Terroristas
e... terrorismos Abril
05
-
Vale
a pena acreditar! Março
05
-
O
“Cabo das Tormentas” Fevereiro
05
-
Perguntas
(ou adivinhas) muito incómodas Fevereiro
05
-
Nem
tudo o que luz é oiro!... Dezembro
04
-
O
“egoismo colectivo” e malsão Dezembro
04
-
Ainda
a Casa Pia! Novembro
04
-
A
SIDA continua a matar! Outubro
04
-
O
Conselho que (ainda) não temos Outubro
04
-
Portugueses,
um povo “desenrascado”! Setembro
04
-
Coitado
do Zé Maria Setembro
04
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A
“Torre de Babel”! Julho
04
-
Cantar
Portugal Julho
04
-
A
“Carta de Macau” Junho
04
-
A
guerra do Iraque já é comparada à do Vietname Maio
04
-
Cowboys
Maio
04
-
Uma
guerra “fresquinha” que ninguém quer Maio
04
-
Terrorismo vs. Democracia Abril
04
-
Um aniversário ainda sombrio
Abril 04
-
Pois... Março 04
-
Vamos ao trabalho que se faz tarde!... Fevereiro
04
-
Ano Novo... Ano Bom (mas pouco...) Fevereiro 04
-
Tout à fait inacceptable! Fevereiro 04
-
"Vamos ler o livro ao contrário" Fevereiro 04
-
Surdo? Eu?... Janeiro 04
-
Sem "excelências" desmedidas Janeiro 04
-
A emancipação da mulher: uma luta sem sexo! Dezembro 03
- Crise no Luxemburgo: uma factura a pagar por
todos... Novembro 03
-
Mário Tomás: a generosidade em pessoa: A informação já se
esqueceu... Novembro 03
- À margem do encontro de professores... nos
Açores Quase... genocídio linguístico Outubro
03
-
Vamos ajudar a pôr fim às aldrabices? Julho
/Agosto 03
- Um par de óculos para o Sr. Ministro Junho
03
- A Europa dos excluídos Junho
03
- A cena seguinte... Conselhos para um...
Conselho Maio 03
- Portugal e os Portugueses: é
preciso viver o futuro, se o presente é desagradável Maio
03
- O que todos nós deviamos saber sobre o
Iraque: A origem da nossa civilização Maio
03
- Em cada esquina um amigo Abril
03
- Terroristas... e terrorismos Abril
03
- "Guerra" ao automóvel Abril
03
- A RTPi não aproveitou a maré de...
remodelação Março 03
- A emigração transoceânica perdida na
distância Março 03
-
Em Portugal agora, tudo é permitido ou quase Outubro
02
Julho/Agosto
05
Hei-de
ser Político, sim...
Quando
eu crescer...
quando
eu crescer, quero, afinal, ser Político. Não há vida melhor.
Sobretudo se tivermos umas quantas cenouras à mão para ir oferecendo a
torto e a direito. Sobretudo se nos tivermos preparado. Sobretudo... se
a concorrência não for tão desenfreada assim. Quero ser Político,
pronto!
Comecei,
desde já, a vas- culhar os meus “émulos”. E mesmo não encontrando
muitos, encosto-me à bananeira dos que se afiguram paradigmas de um
certo “savoir faire” que nos deixem tranquilos pelo menos enquanto
durar o tacho... perdão, o lugar.
E
ao fazer isto naturalmente que terei de encontrar quem me ruborize a
face para o que der e vier, me pespegue com um olhar meio bondoso, me dê
a mão leve para cumprimentar tudo e todos, quando não for possível
dar o beijo da praxe numa senhora ou criancinha, das muitas que hei-de
ter sempre à mão de semear. Também para o que der e vier.
Como
nome sou capaz de inventar um que lembre aos que o ouvirem. Filósofo ou
cientista, que para o caso tanto faz. Se possível, hei-de escolher um
partido dito de esquerda (embora não o seja), já que o povo passados
30 anos da grande “desilusão” que terminou quase em “tragédia”,
não pode com a direita. Para falar, e quando falar, depois de ter as
necessárias lições de dicção, hei-de... dizer que não falo, que
falo depois, que só depois das três centenas de inquéritos que hei-de
mandar fazer.
Hei-de
arranjar uma secretária que saiba de tudo sem saber de nada, mas que
saiba encarar o interlocutor a quem passar a ideia de que... é preciso
descansar no chefe (em mim, claro) as dificuldades, porque é para isso
que ele lá está.
Depois,
quando a lição estiver mais ou menos metida na cabeça... hei-de
atirar aos céus – mas sem o dizer muito – a má herança orçamental,
e não só... – recebida dos malandros que me antecederam. Hei-de
decorar, sobretudo neste aspecto, a terrível situação das contas do
Estado. A despeito de saber que não vale a pena apostar no drama das
coisas – o que pode dar a ideia de não ter confiança nas mi-nhas
capacidades – hei-de insistir nesse ponto. É drama, sim senhores.
E
quando o Governador do Banco Central vier a terreiro dizer que a situação
está pior do que pensava (isto é, do que ele próprio tinha dito),
hei-de fechar-me em copas e esperar que a onda passe. O défice é quase
o dobro do que ele dizia não há muito? Guardo isso para mim... e
hei-de afirmar que irei à luta logo, logo mais, quando tudo estiver
esclarecido (o que quer dizer nunca).
Quanto
a objectivos... hei-de tentar demorar o mais que puder antes de os
alardear. Sobretudo para que a onda passe e para que o povo se esqueça.
Hei-de fazer os possíveis para dizer aos meus apaniguados... que não
falem. Que se resguardem. Falar... falar, talvez só aquele “primo
carnal” que não porei no Governo, mas que, tendo ficado no Partido,
tem ordens para zurzir tudo e todos. O máximo que é permitido é dizer
que a situação é má. Muito má. O silêncio é de ouro.
E
como quero ser um político de peso... tentarei dizer o que todos sabem.
Que o Estado gasta mais do que pode. E gasta mal. Se fosse numa família,
já há muito que mulher e marido estavam de candeias às avessas. Como
todos sabem o que eu sei... o melhor é ganhar tempo. Jogar com as
palavras. Não apontar caminhos correctos, porque eles não parecem
existir. Atirar culpas para a pouca produtividade. Não esquecer que a
realidade de hoje não será a realidade de amanhã. E quatro anos
passam depressa...
E
mesmo que os meus filhos que cursaram Universidades caras me digam que
é indispensável definir uma estratégia coerente, eu hei-de resistir
até onde puder. Se o povo me deu a maioria – esqueci-me de dizer, mas
eu só vou à luta, no Partido ou na governação se sentir que me “dão”
o que eu quero... – acredita piamente que eu sou o melhor. E como
melhor que sou... ainda sou capaz de ganhar novas eleições que venham.
Quanto a devolver as esperanças ao povo, que é disso que se trata...
ora adeus, quem é que acredita? Muito faço eu que ainda vou pensando
nisso. Quando crescer... quero ser político. Mas, atenção, não me peçam
milagres... porque esses só Deus é que os faz. E às vezes pode
acontecer que haja quem acredite que Deus é Português...
Fernando
Cruz Gomes
Julho/Agosto
05
Uma
geração de “choque”!
Com um ligeiro sentimento de
estarmos um pouco perdidos, no meio de acontecimentos que nos escapam,
mas dos quais sofremos as consequências, a minha geração continua na
esperança do direito a uma velhice descansada.
Fomos
educados num regime de grandes restrições. Não podíamos falar mal do
governo, do patrão, ...nem mesmo do vizinho.
Crescemos
a pensar que havia uns que podiam ter tudo e outros que teriam de
conformar-se com a miséria ou, na melhor das hipóteses, serem
“remediados”. Os três grandes “efes”: Fado, Família e Futebol
eram os valores da época (Fado para cantar a tristeza, Família para
elevar o sentido de responsabilidade e Futebol para dar escape aos
nervos).
Atirados,
em plena juventude, para milhares de quilómetros de distância e de
armas na mão, obrigaram-nos a fazer uma guerra contra seres que
desconhecíamos e por razões que ignorávamos.
Longe
dos problemas no Médio Oriente, sofremos no entanto as suas consequências
com os “choques petrolíferos”, no início dos anos 70 e nos anos 80
(e mais recentemente o do “barril a 60 dólares”, por causas outras). Tudo isto com
o inevitável agravamento do nível de vida, com menos “cobres” na
algibeira, mas a vida é feita de luta e já estávamos habituados.
Não
havia salário mínimo, cartões de crédito, juros bonificados, carros
a preços acessíveis, roupas de marca ao alcance de todas as bolsas
e... viagens, só a Badajoz, para comprar caramelos.
Da
Europa e do resto do mundo, só os ritmos dos Beatles e dos Rolling
Stones, para balançar as calças à boca de sino e as camisas às
florinhas (compradas nos “Porfírios”), uns livritos e uns jornais
atrasados, lidos à sucapa e enterrados em sacos de plástico e uns
cigarros de contrabando, para fumar em ocasiões especiais.
Com
o 25 de Abril de 74, a minha geração deu largas à imaginação e
berrou o incontido no estômago, no coração e na cabeça.
Era
preciso repensar os princípios, a moral, a família, a sociedade, o
Estado, os sexos, a economia, o País e... até o mundo!
Esta
geração de “dadores” queria dar tudo o que não tinha tido, sem
perceber que não podia dar o que não tinha!
Hoje,
face às dificuldades de um presente não imaginado, mas nem por isso
mais difícil do que um passado experimentado, a minha geração de
sentimentais recorda, com um sorriso reflectido, que: alguns dos princípios
devem permanecer imutáveis, porque actuais; que algumas condutas morais
estão acima dos tempos, porque são essenciais; que uma sociedade justa
é aquela que resulta do equilíbrio de oportunidades; que a seriedade
do Estado, enquanto emanação de uma consciência cívica livremente
superior, não se compadece com o laxismo; que uma igualdade de
tratamento entre sexos, raças ou etnias, não é uma utopia; que uma
economia que conduza ao bem estar efectivo dos seus cidadãos, não se
compadece com o consumo das aparências e que um País solidário e um
mundo mais humano só é possível com o nosso contínuo envolvimento.
Afinal,
quando contemplamos hoje Portugal e o mundo e comparamos a realidade com
muita da nossa ficção geracional, parece-nos que muita coisa recuou e
outras coisas evoluíram, para além do que se poderia ter pensado.
Só
algo (cada vez mais evidente na expressão da minha geração) parece não
ter mudado e, curiosamente, é o que de mais antigo foi refinado pela prática
da vida. Trata-se do espírito e tenacidade para encarar as adversidades
e a vontade de lutar por dias melhores.
Mas
será que educámos os nossos descendentes com estas mesmas convicções?
Se
calhar não os preparáramos para tal, na esperança de que já não
fosse necessário e, agora, com o mundo a girar em sentidos tão
diversos e a vida a exigir sacrifícios maiores, corremos o risco de nos
sentir culpados e, mais uma vez, chamados a participar na resolução
dos problemas que nos afectam.
E
nós a pensarmos numa pacífica reforma!...
Luís Barreira
Junho
05
Saber
governar é bonito...
Saber
governar é, de facto, uma ciência.
Que
tanto pode alegrar o povo a quem se destina como atirar de pantanas o
seu optimismo no dia-a-dia. Ora, José Sócrates o actual
primeiro-ministro de Portugal tem estado a tactear, à procura de fazer
coisas.
Se
não avançar com os programas que lhe deram a vitória, não se pode
desculpar com a falta de apoio dos portugueses. É que estes deram ao
actual governo uma maioria confortável. E nem sequer estão a fazer
grande pressão social. Ao contrário, dois meses depois de ter tomado
posse, Sócrates não enxerga, certamente, grandes anti-corpos
populares.
O
estado de graça continua alto. A dar a entender que o povo é bem capaz
de estar disposto a fazer sacrifícios. Daqueles que até poderão ser
duros se permitirem, no entanto, ver a luz ao fundo do túnel.
Dizia
Samuel Johnson, um escritor britânico que viveu em 1700, que “estamos
sempre dispostos a acreditar naqueles que não conhecemos, pela simples
razão de que esses ainda não tiveram oportunidade de nos enganar”.
O
povo não conhecia Sócrates. Por isso lhe deu o mandato de governar.
Agora é preciso que a desilusão não se apodere do povo.
E,
no entanto, uma ou outra voz começa a fazer-se ouvir. Como a de Marcelo
Rebelo de Sousa que chega a comparar o estilo de Sócrates ao “pior do
santanismo”, sobretudo numa certa des- coordenação entre os
ministros, corporizada no desentendimento entre o ministro da Saúde,
Correia de Campos, e o próprio primeiro-ministro quanto à construção
dos novos hospitais, como o do Algarve.
Esquece-se
o professor que os políticos que temos reflectem o povo que ainda
somos. Sócrates não prometeu quase nada. E parece estar entretanto sem
condições para cumprir o pouco que prometeu. E mesmo no tal “estado
de graça” que ainda tem – o povo o que quer é que lhe resolvam os
problemas... – há mais que muitas questões que os analistas já vão
atirando ao ar.
Falam
no desemprego que não tem solução à vista, no endividamento
colectivo, na (fraca) qua- lidade do ensino e na Saúde que não anda
nem desanda...
Falou
em 150 mil empregos... mas onde estão eles? Falou na construção de
hospitais, sobretudo aquele do Algarve, e logo que teve oportunidade
mandou às malvas as “decisões” que o seu ministro da Saúde ia
tomando.
E
por muito que se queira “esconder a realidade”, para não se criarem
desânimos, há dados a mais para dois meses de governação. A solução
para o aborto vai ficar para as calendas gregas, porque o tal referendo
não pode andar por não parecer agradar ao todo poderoso Presidente da
República.
Saber
governar é, de facto, uma ciência. E os políticos que ainda vamos
tendo – do Governo à Oposição – parece terem de voltar à Escola.
Para aprender mais umas coisas e sentirem na pele o que o povo pensa das
“velocidades” que não temos quando se trata de governar. Dizia alguém,
não há muito, que na nossa Política não temos “As” nem “Bês”.
Temos, ao invés, meia dúzia de “Cês” e um batalhão de “Dês”.
O que é dramático. Sobretudo porque o Povo que nós somos queria, de
facto, acreditar no Partido a que deu a maioria absoluta.
Fernando
Cruz Gomes
Junho
05
A
União para a paz
A
evocação do 60° Aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial,
associada ao dia da Europa, que foi um dos grandes palcos da guerra,
opondo os aliados às potências do Eixo (Alemanha, Japão e Itália),
merece alguma reflexão.
Não
gostaria de falar sobre os “resquícios” daquele enorme conflito,
que ainda hoje alguns teimam em utilizar como arma de arremesso político,
quando lhes convém, ou como justificativo de outras barbaridades,
sempre que cometem actos mundialmente condenáveis. Não gostaria de
aqui recordar, mas é conveniente não esquecer!
Na
minha opinião, o importante a recordar nos dias de hoje e se tivermos
em consideração a Europa que estamos a construir é, por um lado, o
sofrimento e a morte causados a milhões de seres humanos, tivessem sido
eles judeus, minorias étnicas, russos, americanos ou alemães. Nesse
aspecto e à luz da nossa sensibilidade actual, tal catástrofe humana
deve ser evitada a todo o custo e banida dos propósitos de qualquer líder
sanguinário.
Por
outro lado, a evocação do Dia da Europa, num contexto particularmente
pacífico em que se encontra este velho continente há cerca de 60 anos,
após séculos de hostilidades, guerras sangrentas e disputas
permanentes, é algo que, enquanto for viva a memória da Segunda Grande
Guerra, nos faz meditar no quanto de positivo para os nossos povos teve
a construção do Mercado Comum e, agora, o da União Europeia.
E
porque nos é tão cara, do ponto de vista económico e social, esta
construção continental europeia, com todas as suas variantes políticas
nacionais e comunitárias, devemos reflectir sobre o futuro desta
arquitectura, olhando os problemas do presente à luz das velhas aspirações
do seu passado, que tiveram em Robert Schuman um dos seus grandes
mentores.
De
facto, se a Europa começou por ser o grande mercado de circulação de
pessoas e bens, procurando que os benefícios dessa circulação fossem
redistribuídos pelos povos que nela participavam, a Europa de que hoje
falamos, com um sem número de instituições autónomas e aspirando a
uma Constituição comum, já não é só a Europa das mercadorias, é
igualmente dos seus povos, de cada um dos seus seres humanos, que se
sentem europeus por direito e por pertença a um projecto comum de vida.
E
a ser assim e porque habitamos a mesma “casa europeia”, gostaríamos
todos de saber o que tem sido feito para conhecermos todos os
inquilinos?! Que esforços têm sido realizados para dar às novas gerações
(para já não falar das pessoas de meia idade), um conhecimento mínimo
da diversidade cultural, histórica, económica, linguística, etc,
destes milhões de habitantes que se agrupam sobre o mesmo “chapéu”
da União Europeia? Que trabalho tem sido realizado pelas instituições
europeias para encurtar a ignorância mútua entre lituanos e
portugueses, entre eslovacos e irlandeses, ou entre gregos e
finlandeses, para só falar destes?
Cada
um dos países que actualmente compõem a União Europeia teve uma história
marcada por séculos de atribulados acontecimentos, que marcaram os
povos desta grande região do planeta e que ainda hoje são responsáveis
por muitas das suas atitudes, incompreensíveis aos nossos olhos. A única
forma de evitar conflitos, como foi o da Segunda Guerra Mundial, é
proporcionar um conhecimento mútuo entre os povos e estabelecer uma
escala de valores comuns a que todos se sentem ligados.
Sermos
apenas produtores de bens e consumidores dos mesmos produtos não é
condição segura para a paz. Isso já o éramos, embora em menor
escala, antes e durante os conflitos, que aconteciam em grande parte em
consequência da disputa de mercados ou de matérias primas.
A
paz e a prosperidade que a União Europeia deverá proporcionar tem que
assentar em bases mais sólidas do que as que resultam da simples
transacção de mercadorias.
Estamos
a falar de gente, de pessoas que podem amar-se, detestar-se ou
ignorar-se! E não consta que esta última atitude seja sinónimo da
tranquilidade essencial a uma paz duradoura.
Luís
Barreira
Maio
05
Os
“fundamentalistas” católicos!
Um
destes dias, num programa radiofónico da Rádio Latina no Luxemburgo,
onde se pedia a opinião dos ouvintes sobre a personalidade e obra de João
Paulo II, a opinião de um ouvinte deixou-me perplexo.
Interrogado
sobre os aspectos mais conservadores e mais evolutivos, do período em
que este Papa esteve à frente dos destinos da Igreja Católica, o
ouvinte em questão, reafirmando o total apoio ao Papa agora
desaparecido, fez questão em sublinhar o seu total repúdio pelos
“ps....” (que deseducadamente não soube ou não quis designar como
homossexuais), transmitindo a opinião que o Papa faz muito bem em não
aceitar a sua existência e que todos os homossexuais deveriam ser
mortos... liquidados!
Com
toda a franqueza, já pouco me importa os palavrões utilizados pelo
ouvinte, para apelidar os homossexuais. Também, e a avaliar pela ignorância
e maldade que grassa no mundo, pouco me importa a opinião deste senhor
sobre o referido assunto. O que para mim é importante é que,
eventualmente, outras pessoas possam pensar o mesmo, após terem ouvido
tais disparates. O que mais me afectou é pensar que, de algum modo, as
mensagens de João Paulo II, possam ter causado tão pernicioso efeito
nas consciências de alguns crentes. E isso sim, é preciso
desmistificar!
É
verdade que o falecido Karol Józef Wojtyla, numa eventual contradição
entre as suas atitudes verdadeiramente inovadoras: em favor da paz no
mundo, da aproximação entre as várias religiões monoteístas, do
perdão pelos pecados cometidos em nome da Igreja e da grande aproximação
humanista para com todos os seres humanos, independentemente da sua
natureza ou fé confessional, assumiu uma postura conservadora em relação
a muitos dos aspectos da vida da igreja e da moral social. Mas, sem que
queira justificar as eventuais dissonâncias do legado de João Paulo
II, a minha opinião é a de que, estas possíveis discrepâncias, entre
um papado da actualidade, coexistindo com uma moral preconceituosa,
tinham um fio condutor no pensamento do falecido Papa, ou seja, a defesa
da vida humana, na óptica da Igreja.
Nunca
o Papa desejou ver liquidados os homossexuais! Afirmar isto é uma
aberração levada à extremidade da condição humana.
Os
homossexuais, homens ou mulheres, não são produto de uma degenerescência
social, de um vírus maligno ou portadores de alguma doença epidémica
e mesmo que o fossem, deveriam ser tratados como seres iguais a todos os
outros, com a compreensão e o respeito que todos os homens e mulheres
devem merecer.
Ser
homossexual só significa ter uma atitude, em relação ao sexo,
diferente daquela que é mais vulgar, mas dessa diferença não advém
nenhum mal à sociedade em geral.
Um
ou uma homossexual, ama, sonha, trabalha, chora e ri, como qualquer
outra pessoa e deseja estar integrado na sociedade, como qualquer outro
ser humano.
Todos
nós, homens ou mulheres, na nossa constituição genética, contemos
elementos do sexo oposto, em menor ou maior quantidade e isso não é
obra do diabo. Somos assim cientificamente concebidos e não querer
entendê-lo só pode ser consequência da ignorância, de uma deseducação
assente em preconceitos estúpidos, ou por pura maldade.
Para
o ouvinte que emitiu a opinião citada e para todos os católicos que,
no Luxemburgo ou em qualquer parte do mundo, querem posicionar-se em
torno dos valores defendidos pela sua Igreja, aconselho a leitura das
teses do Jubileu do ano 2000.
No
caso concreto da Arquidiocese do Luxemburgo, num documento de 7 de Março
de 2000, no seu artigo 4, na página 5, dizem nomeadamente sobre este
assunto: “No domínio da moral sexual, o comportamento da Igreja e dos
seus representantes, face às pessoas homossexuais, merece ser
considerado à parte: a Igreja e os cristãos têm hoje um sentimento
profundo, olhando a homossexualidade de maneira muito diferente. Nessa
apreciação, é preciso partir do facto de que os homossexuais não
escolheram o seu destino (...) e que uma alteração da sua tendência
é julgada impossível, por uma grande parte da comunidade científica.”
Face
a isto, defender a aniquilação dos homossexuais não é ser “mais
papista do que o Papa”, é, pura e simplesmente, ser contra o Papa!
Luís
Barreira
Maio
05
A
RTPi da nossa angústia
É
uma alegria.
Quem
tem um Jornal das Comunidades assim… tem de facto tudo para achar que
vale a pena esquecer a RTPi da nossa angústia.
A
verdade é que é assim a modos que uma mexerufada de coisas ditas e
reditas, um lençol de frases feitas, uma salada russa quase sem nexo,
uma “rebaldaria” em que vale tudo para encher aquele tempo de
pasmaceira. É um ver se te avias…
No
último, começámos por ouvir a “menina-pivot” – sabemos que não
é assim que se chama, claro – a debitar umas quantas coisas a
respeito da menina que perdeu a vida no terrível incêndio. Mas fê-lo
como se estivesse a dar uma notícia, esquecendo-se que há uma forma de
fazer notícias para o imediato, para a linha das agências e para o
segmento do telejornal (diário) e outra, totalmente diferente, para os
programas semanais ou de referência. Esqueceu-se, pronto.
A
seguir veio o Sindicato dos Trabalhadores Consulares, pela voz e mão do
Sr. Veludo… que aveludadamente foi dizendo da sua (in)justiça a
respeito de uma questiúncula que há lá pelas bandas de Londres. Tempo
a mais para uma coisa que, trabalhada como o foi, tem pouco a ver com as
comunidades.
Claro
que, até ali, era só a Europa a funcionar. A exemplo do que é
habitual naquela que se chama eufemisticamente “RTPinternacional”,
mas de internacional vastas vezes tem apenas a componente europeia. E
mais Europa ficou quando deu voz e... vez a uns “meninos prodígios”
que andam pela França na Comunicação Social francesa a fazer coisas
de truz. E trouxeram à liça uma Karine Lima e um Paul Moreira. Uma e
outro a dizerem das suas. E a cantar loas à sua forma de actuar. Daí não
viria mal ao mundo... se nos lembrássemos de ter visto idêntico critério
– naquele inefável Jornal das Comunidades – em relação aos muitos
“prodígios” que há pelos Estados Unidos e pelo Canadá, pela
Venezuela e pelo Brasil. Mas isso não, que fica muito longe! A distância
é capaz de não ser coisa de somenos, mas, de facto, por lá, mesmo em
Paris... quem estas linhas escreve poderá dar ideias acerca de vários
outros colegas – e de peso no mundo da Informação – a trabalharem
em órgãos de Informação “nossos”. E que poderiam dar ao tal
Jornal... o verdadeiro prisma das comunidades. Por falar em
comunidades... falou-se outra vez – com lágrimas à mistura – nos
bairros da lata dos anos 60 e 70, em... Paris (onde é que poderia
ser?!) E abordou-se a problemática de uma família pobre... que veio
pobre... que viveu pobre... e é agora rica (pelo menos em matéria de
dinheiro).
Um
Jornal das Comunidades assim... não dá para ver! Desligámos o aparelhómetro
e fomos deixar que um café bem quente nos acordasse para a realidade.
Uma realidade das coisas que fazem que andam... sem andarem. Como é o
caso dos muitos “Contacto” que a RTP vai tendo. E que seria para forçar
à triangulação da Informação. Só que serve apenas para nos
sensibilizarmos uns aos outros. Paris vai sabendo o que se passa na África
do Sul, no Canadá nos Estados Unidos, Macau saberá o que se passa
sabemos lá onde. Mas... Lisboa continua a olhar para o seu próprio
umbigo. Sem enxergar o tal “Contacto”. E a pensar, paulatinamente,
que Portugueses são apenas... os 10 milhões que vivem dentro das
fronteiras portuguesas. Não contabiliza os quase 5 milhões de
Portugueses e luso-descendentes que vivem no mundo. Não contabiliza
porque vale a pena sonhar... que emigrantes são só os de i... já que
os outros é até bom que desamparem a loja.
O
outro Governo dizia que Portugal era cada vez menos só o rectângulo
dos 10 milhões... para ser também os 5 milhões de fora. Só o dizia?
É evidente que sim. Este Governo ainda não disse nada a esse respeito.
Pelo menos a avaliar pelos discursos que já ouvimos das excelências
todas que tomaram posse...
A
RTPi da nossa angústia... vai de mal a pior!
Fernando
Cruz Gomes
Abril
05
Terrorismo!
A “moral” do desespero
Realizou-se
muito recentemente, em Madrid, uma Cimeira entre especialistas mundiais
do combate ao terrorismo.
A
sua conclusão foi simples, como a verdade de La Palisse: consideram
irrealista colocar como objectivo eliminar o terrorismo, propondo antes
combater as suas causas e desenvolver acções concretas, no plano
social e na cooperação entre nações, quanto aos meios de combate.
Quer
dizer que, enquanto houver injustiças de tal forma gritantes que, em
sinal de desespero, façam com que homens e mulheres atem quilos de
dinamite à cintura e se façam explodir, não importa onde, todo o
combate ao terrorismo apenas pode minimizar os seus efeitos, mas nunca
resolverá as suas causas objectivas, ou seja, a enorme miséria que
grassa em algumas partes do mundo.
Desenganem-se
todos os “cow-boys e robocops” do mundo, que pensam anular este
flagelo, através das suas técnicas e poderes militares.
Desiludam-se
todos aqueles que pensam poder fazer apelos à razão, para alterar as
mentalidades destes suicidas, quando os mesmos têm, como contrapartida,
um prato vazio na mesa familiar.
E
a religião destes homens/mulheres-bomba não é a causa e muito menos o
objectivo destes kamikazes dos tempos modernos. A evocação religiosa
serve apenas como passaporte para um futuro no paraíso. Todos têm medo
de morrer, mas a morte pode ser melhor que muitas das vidas que se têm
e se se é crente numa qualquer filosofia metafísica que lhes é
impregnada, justificando os seus actos para atingir fins altruístas,
atribuindo-lhes a “categoria” de mártires, ou seja, a felicidade
eterna no “além”, todos os fins passam a justificar os meios.
Mártires
pela honra, pela pátria, pela seita, pela religião, pelos governantes
auto-denominados deuses e por tantas razões objectivas e subjectivas, a
história dos homens está repleta de exemplos. Só que hoje, em pleno séc.
XXI, quando a vida do Homem atingiu teoricamente, nas sociedades
desenvolvidas, o conceito de maior preocupação, custa-nos compreender
que tipo de valores podem conduzir estes bárbaros assassinos a cometer
os crimes mais hediondos.
Só
há uma explicação: o valor da vida humana não é idêntico no
conjunto da sociedade que habita o planeta e, em relação directa, o
desespero, a fome, a miséria e a fraqueza psíquica e cultural,
atingiram tais proporções em certas regiões do mundo, que o seu
desnivelamento, facilmente comparado através da comunicação global,
atira para o terrorismo homens e mulheres dispostos ao sacrifício
suicida, como resposta a tantos problemas sem solução aparente.
Só
compreendendo as causas do terrorismo podemos combater, eficazmente,
este flagelo que nos afecta a todos.
Nenhuma
razão o justifica e nenhuma vida deveria ser sacrificada em nome de uma
razão. Este deveria ser o lema para terminar com todas as guerras mas,
na impossibilidade actual de uma sociedade perfeita, poupemos, ou menos,
os inocentes.
Se
é um facto que devemos tudo fazer para inculcar valores morais
semelhantes em todas as sociedades humanas, não é menos verdade que
temos muito a fazer para proporcionar a todos os seres humanos a
dignidade da vida. E é por aí que devemos começar!
De
nada vale criarmos leis universais e sanções colectivas, se não
formos capazes de dar, ao conjunto das sociedades, condições
essenciais para que compreendam e aceitem os valores que lhes propomos.
Se
nada fizermos nesta direcção, só nos resta desenvolver modelos de
sociedades policiadas, em que os próprios cidadãos acabarão por
perder os valores em que agora acreditam e tanto querem preservar.
Luís
Barreira
Abril
05
Terroristas
e... terrorismos
Quando,
em 15 de Março de 1961 - há que tempos isso lá vai! - deparámos com
toda a tragédia do norte de Angola, aprendemos, então, uma palavra
nova: terroristas.
Eram
terroristas os que faziam tudo aquilo. Os que matavam
indiscriminadamente. Os que violavam. Os que abriam meninas desde as
partes baixas até à boca. Nós vimos tudo isso. Ninguém nos contou. Não
lemos em livros. Vimos.
Os
poderes instituídos de então chamavam àqueles homens que iniciavam a
tal “luta” terroristas. O terrorismo começava, então, para nós, a
ser algo hediondo. Avassaladoramente hediondo. Os poderes instituídos
de então responderam ao terrorismo... com uma luta sem tréguas nem
barreiras. A que se chamou, também, terrorismo.
Aos
poucos, porém, vimos outras formas de terrorismo. Aprendemos à força...
a entender outros terrorismos. E a isso nem escapou uma “reciclagem”
que fizemos à imagem que tínhamos acerca da primeira bomba atómica -
a arma-“mãe” de todas as armas de destruição maciça - que
fizeram deflagrar por sobre Hiroshima e Nagasaky.
O
terrorismo continuou a ser algo de hediondo. Avassaladoramente hediondo.
Mas... ganhou contornos diferentes. E teve “faces” também
diferentes. Até porque os terroristas de então - 15 de Março de 1961
e outras datas que se lhe seguiram - são hoje os “senhores todo
poderosos” daquele País que (ainda) amamos. Sentam-se em cadeiras de
deputados. Sobraçam pastas ministeriais. Atiraram-se para as escadas do
Poder máximo. A “reciclagem” que fizemos ao conceito de terrorismo
continuou. E mesmo hoje, que há outros ismos cada vez mais poderosos...
ainda nos interrogamos sobre o que é ser terrorista. Há dias, a
Imprensa atirou-nos para a mente uma frase que não deixa de nos
matraquear o pensamento. O senador norte-americano Robert Byrd escreveu:
“Hoje choro pelo meu país. Depois da guerra temos de reconstruir mais
do que o Iraque. Temos de reconstruir a imagem da América um pouco por
todo o mundo”.
Reconstruir
a imagem da América? - O que temos, de facto, é de reconstruir a
palavra e o conceito de terrorista. Se o fizermos a tempo... ainda somos
capazes de evitar que um pensador espanhol de que nos não lembramos o
nome tenha razão quando diz não saber ao certo como iria ser a
terceira guerra mundial. Sabia, isso sim, como seria a quarta guerra
mundial. E essa, na sua óptica, seria... a paus e pedras, porque a
terceira acabaria com tudo.
O
conceito de terrorista. O conceito de pundonor. O conceito de “ser”
homem justo. Talvez evitasse até - e nós sabemos que é capaz de não
ter nada a ver com o que deixamos escrito... - que, há tempos, logo após
a cimeira das Lajes, na página oficial da Casa Branca, Aznar, que era o
chefe do governo de então, aparecesse como presidente da Espanha, que
é (ainda) uma Monarquia. E que Durão Barroso aparecesse como... Durão
Burroso! Está lá escrito!
Fernando
Cruz Gomes
Março
05
Vale
a pena acreditar!
P
ronto, já está! O Presidente da República Portuguesa decidiu
dissolver a Assembleia da República, considerando que a coligação
PSD/PP já não tinha condições para governar. O povo português
votou,... e deu-lhe razão!
Esse
mesmo povo modificou radicalmente o seu sentido de voto, atribuindo ao
Partido Socialista uma larga maioria
e aos restantes partidos da oposição, uma situação mais
confortável na Assembleia da República. O povo responsabilizou-os e
vai ser exigente com eles!
Mas,
pese embora a maioria absoluta do Partido Socialista, que lhe vai
permitir governar sem sobressaltos e sem o quebra-cabeças do “queijo
Limiano”, a responsabilidade deste partido é de tal ordem que, a não
ser que se modifiquem muitos dos procedimentos governativos habituais,
deste histórico partido, a sua acção vai ser constantemente posta em
causa, pela oposição e por largos sectores do eleitorado que, desta
vez, lhe deram a preferência do seu voto.
Ficou
provado, mais uma vez que, em Portugal, nenhum partido se pode arrogar
de ter um eleitorado substancial e estável.
Todos
os partidos políticos que, a 20 de Fevereiro de 2005, ganharam votos, vão
ter, mais tarde ou mais cedo, que prestar contas a quem os elegeu.
O
Partido Socialista deve a sua vitória aos sectores da população mais
inclinados à social-democracia moderna, descontente com o seu partido
natural.
O
Partido Comunista, contra todas as expectativas, atingiu a estabilidade
perdida, pela postura humanizante do seu novo Secretário-Geral.
O
Bloco de Esquerda triunfou, eleitoralmente, porque soube dar voz
inteligente às minorias produzidas pelas nossas modernas sociedades.
Mas,...todos
os que obtiveram ganhos eleitorais, conseguiram-nos, não tanto pela força
das suas ideias, mas mais pelo descontentamento que a anterior governação
lhes provocou.
Por
isso se espera, dos partidos vencedores, uma nova forma de fazer política.
Por
isso se aguarda que, os partidos perdedores, saibam recolher os
ensinamentos necessários do que se passou e assumam, nesta legislatura,
uma oposição responsável, séria e construtiva.
O
País não se pode permitir de outra atitude!
Como
gerir, da melhor maneira, o social e o económico, é o grande desafio
que se coloca ao Partido Socialista. Por isso, este partido tem agora
uma enorme responsabilidade : se a Administração Pública é pesada e
obstrutiva; se o nosso sistema de saúde está doente; se o ensino está
mal estruturado ; se a justiça enferma de vícios processuais ; se o
nosso aparelho produtivo está desadequado; se a nossa Defesa Nacional
está aquém, da eficácia necessária e muito para além das
nossas possibilidades; se a nossa fiscalidade se assemelha a uma “rede
de pesca de carapaus e deixa passar tubarões” ; se o endividamento
das famílias portuguesas atingiu níveis insuportáveis ; se a miséria
grassa, de forma exposta e encoberta ; se as auto-estradas para o
interior são uma ponte, entre uma prosperidade aparente e a terra de
ninguém; se a população envelhece desprotegida e os novos evitam ter
filhos, com medo da vida; se os valores sociais de referência,
continuam a ser os carros de alta cilindrada e os telemóveis de nova
geração. Mudar tudo isto, para melhor, sem perder de vista as grandes
preocupações sociais, como: o emprego, o nível de vida, a saúde e a
justiça social, é um trabalho gigantesco, no tempo e no espaço de uma
legislatura.
Por
isso a maioria absoluta não chega!
Se
os partidos, que agora ficam na oposição, se afirmarem pela positiva e
não pela obstrução sistemática, mais tarde ou mais cedo serão
recompensados eleitoralmente, pelo seu empenho nacional e, o País,
ganhará.
Se
o partido que agora assume o poder, independentemente da sua não dependência
governativa formal, souber escutar, analisar e decidir, em conformidade
com as críticas justas e mobilizar um povo que, fora e dentro do seu País,
está disposto a colaborar para o progresso da sua terra e das suas
gentes, então podemos dar passos de gigante, em direcção a um futuro
melhor.
São
talvez demasiados “ses”, mas vale a pena continuar a acreditar!
Luís
Barreira
Fevereiro
05
O
“Cabo das Tormentas”
Dentro
em breve os portugueses, no interior e exterior do País, vão ser
chamados a escolher os seus deputados. Vão ser chamados a designar os
homens e mulheres que, independentemente das suas convicções e dependências
politico-partidárias, virão a ser os legítimos representantes do povo
português e os responsáveis pelos destinos de Portugal, durante os próximos
quatro anos.
Quatro
anos que, por razões internas e externas (com impacto interno), não se
afiguram como um simples passeio no “jardim à beira-mar plantado”,
mas mais como o enorme desafio (já vivido no passado) de dobrar o
“cabo das tormentas”.
Penso
que já se falou suficientemente sobre as dificuldades internas do nosso
pequeno Portugal : uma economia fraca e em recessão ; um déficit público
elevado ; uma competitividade empresarial abaixo das necessidades ; um
desemprego elevado, com consequências graves, ao nível das estruturas
de apoio social ; um descrédito na eficácia das instituições ; um
pessimismo elevado das populações e dos agentes económicos ; etc,
etc.
Penso,
igualmente, que muito já se disse sobre os desafios externos de pertença
a uma comunidade de 25 países, que dá pelo nome de União Europeia :
critérios financeiros dolorosos, para continuar na zona euro ; diminuição
dos subsídios ao desenvolvimento ; rigor na aplicação das suas
directivas ; política externa condicionada e política interna estável
; contas públicas transparentes ; pressão sobre a nossa capacidade de
inovação ; etc, etc.
Os
portugueses também já sabem que vão ter uma legislatura (ou mais),
plena de sacrifícios, para ultrapassarem as actuais dificuldades,
alguns anos de paciência e boa vontade, para poderem instituir um País
moderno e próspero.
Não
sabem ainda, mas vão saber, quais são as propostas político-partidárias
para sair da actual situação e encontrar um rumo certo para a Nação.
O
que de pouco se tem falado, vejo e oiço, é sobre a correspondente prática
social, a um projecto de sociedade a precisar de grandes transformações,
ou seja, a necessária mudança de atitude da nossa classe política,
para com o eleitorado e para com as responsabilidades da governação.
Críticos
oiço muitos. Até parece que virou moda ser-se meramente crítico e
critica-se cada vez mais sem substância, confundindo os fait-divers,
com os assuntos de importância decisiva.
Apartidários,
envergonhados das suas verdadeiras convicções ou sem elas, a gente
partidária, com objectivos inconfessáveis ou por mero despeito, os
“velhos do Restelo” têm vindo a assumir um papel preponderante na
paisagem mediática, sem que a sociedade, embriagada por muitos dos
programas televisivos de cha-cha (sem h), se contraponha de forma séria
e responsável.
Até
parece que é preciso bater com a cabeça no muro para saber que os média
(e nomeadamente os canais televisivos) não são o primeiro poder do
Estado, não são eleitos por ninguém, não têm que ter nenhuma
responsabilidade sobre as decisões governativas. São, exclusivamente,
veículos de expressões várias, algumas interessantes e a ter em
conta, outras, autêntico “lixo”.
Por
isso se justifica cada vez mais uma clareza e frontalidade da nossa
classe política. Os partidos e os seus partidários devem, cada vez
mais, apresentarem-se pela positiva, pelas suas próprias ideias e
projectos e muito menos por oposição a uns e a outros. Os responsáveis
partidários, que aspiram submeter-se ao eleitorado e ganhar a sua
confiança e solidariedade, não podem (devem) afinar os seus discursos
pelo diz que disse, pelos títulos bombásticos da imprensa, pelas suas
ambições pessoais ou de grupo. O País precisa de dirigentes nacionais
que saibam conduzir um povo, sem olhar ao seu emblema da lapela.
E
não me venham dizer que é preciso esperar por uma nova geração de
políticos, para que as coisas melhorem. Daqui até lá morremos de fome
e,....a fome, nunca foi boa conselheira.
Luís
Barreira
Fevereiro
05
Perguntas
(ou adivinhas) muito incómodas
“Os
factos não deixam de existir só porque são ignorados”. A frase é
do escritor britânico Aldous Huxley. Nunca como hoje, no Portugal
moderno, teve tanto sentido. Com as eleições à porta... ignoram-se
factos. Atropelam-se corações. Viram-se latas de ódio. Destila-se
veneno. E quando se ignoram os factos, há quem pense que eles não
existem.
Talvez
por isso - e lá voltamos nós a citar um escritor, desta feita escocês
- “as verdades mais cruas são, muitas vezes, ditas em silêncio”.
Robert Louis Stevenson sabia o que dizia. E tentava, nos seus romances e
poemas, dizer aos homens seus irmãos... que talvez o silêncio faça
muito barulho.
São
mais que as mães... os que falam agora na viagem de Morais Sarmento a São
Tomé e Príncipe. No preço da viagem. Nas “férias” que o Ministro
teria feito durante 24 horas. No pouco resultado que se vê e se há-de
ver. E a Comunicação Social -a nossa querida Comunicação Social -
bate na mesma tecla. Que é imoral. Que não deveria ser feita a viagem
quando o Governo está em gestão. Que...
A
verdade é que, por esta mesma altura, ninguém fala na luzidia comitiva
que o inefável Presidente da República levou à China. Foram mais de
100 pessoas. Até dizem que foi a maior comitiva que algum dia
acompanhou o Chefe de Estado a uma visita oficial. A Imprensa, neste
caso, enche páginas e preenche telejornais. Canta loas à iniciativa
que pode ser - será mesmo? - do maior interesse para Portugal e para os
Portugueses.
Nos
casos em apreço... todos sabem - saberão mesmo?! - quanto custou a
viagem de Morais Sarmento a São Tomé. Os rios de dinheiro que ele
gastou... Não sabem - e, pelos vistos, nem querem saber - quanto custou
a viagem de Jorge Sampaio e dos seus apaniguados a terras chinesas.
E
se nos interrogarmos sobre tudo isto, não poderemos deixar de nos
interrogar também sobre muitos outros casos. Sabemos quais são os
gastos do Governo. Quantos “amigalhaços” eles metem nas secretarias
dos Ministérios.
Ninguém
se interrogou, ainda, quantos funcionários - alguns a funcionar muito
pouco... - estão na Presidência da República. Quanto gastam por ano.
Como é que foram feitas as respectivas nomeações e a que critérios
obedeceram.
Naturalmente
que são perguntas incómodas. Daquelas a que ninguém quer responder. O
que interessa a uns quantos é dar relevo e ênfase às asneiras - ou
pseudo-asneiras - de... uns quantos. O que interessa, na mesma direcção,
é esquecer as asneiras de outros.
Ainda
ninguém reparou, por exemplo, que o PS prometeu resolver o intrincado
problema do défice numa legislatura (4 anos). Ninguém pergunta aos
seus dirigentes porque é que o mesmo Partido sempre exigiu que os
outros fizessem esse “milagre” em dois anos ou mesmo num. Ninguém
se interrogou sobre isso. Ninguém pensou que a clubite da esquerda...
tem sempre razão, enquanto que o que parece direita é sempre... execrável.
E
se entrar em Lisboa... e já que estamos com a mão na massa, pergunte
porque é que será tão importante culpar uns por terem iniciado uma
obra que foi interrompida durante 8 meses (o tal túnel do Marquês), e
ninguém dar importância ao facto do Supremo Tribunal afinal ter dado
razão a quem iniciou a obra?
Perguntas
incómodas, nós sabemos. Perguntas a que ninguém quer responder.
Sobretudo nas Redacções dos Jornais, das Rádios ou das Televisões.
Chega
a parecer que estas perguntas incómodas não são feitas porque o
“lobby” da Comunicação Social, em Portugal, num crescendo que
todos fingem não ver, está a tentar manipular a opinião dos
Portugueses. Condicionando assim os resultados destas e das próximas
eleições.
Fernando
Cruz Gomes
Dezembro
04
Nem
tudo o que luz é oiro!...
Um
recente estudo do Eurostat, a pro- pósito dos salários mínimos
praticados em diversos países e, nomeadamente, nos países da União
Europeia, dá-nos conta de uma realidade estatística que nós, os que
vivemos no Luxemburgo, há já algum tempo, temos vindo a sentir no
“bolso”.
De
cada vez que comparamos o nível de salários praticados no Luxemburgo,
com aqueles que se aplicam nos restantes países, ficamos estupefactos
com o desnível existente.
Só
para vos dar um exemplo, no Luxemburgo, o salário mínimo nacional,
cerca de 1 403 euros, é o maior de toda a União Europeia e o dobro do
praticado nos Estados Unidos. O nível mais baixo dos salários, entre
os países da União, é o da Letónia, apenas com 121 euros mensais e
em Portugal, o salário mínimo é cerca de 1/3 do praticado no
Luxemburgo.
Quem
quer que seja que viva noutro país, olhando os montantes dos salários
praticados no Luxemburgo, deve considerar que todos nós somos ricos,
vivendo como uns nababos e com um mealheiro capaz de fazer inveja ao
“tio Patinhas”.
De
facto, no Luxemburgo e de uma forma geral, não se vive mal, em termos
económicos. Os salários, os esquemas de protecção social, os níveis
suportáveis de desemprego e a qualidade de vida, de que os residentes
desfrutam, corresponde a um padrão elevado, em comparação com a maior
parte dos povos de outros países.
No
entanto e correspondendo à percepção de muitos de nós, a estatística
da União Europeia, também nos revela que, enquanto no Luxemburgo, o
salário mínimo é praticado em cerca de 15% dos assalariados, na
Holanda, o país que pratica os salários mínimos mais próximos do
Luxemburgo, esta percentagem desce para cerca de 2,3%, o que deixa
antever que, uma parte muito superior da população holandesa, ganha
acima do salário mínimo.
Por
outro lado, outro factor, aparentemente contraditório, vem à luz do
dia com esta recente estatística. Entre 1999 e 2004, o salário mínimo
no Luxemburgo, aumentou 24%, o que, à primeira vista, parece uma evolução
muito positiva, em relação a um país vizinho como a França, onde os
salários só aumentaram, no mesmo período, cerca de 13%.
Mas,
se formos mais longe e quisermos saber o que os assalariados
beneficiaram realmente, com esse aumento dos salários, verificamos que
esses 24% de aumento, entre 99 e 2004, só resultaram em 4% de aumento
efectivo no poder de compra. Olhando para os vizinhos franceses
constatamos que, o aumento de 13% nos salários mínimos, no mesmo período,
se traduziu em mais 19% no seu poder de compra. O que quer dizer que, no
período referido, o custo de vida, ou seja, o que pagamos : pela
alimentação, transportes, vestuário, saúde e tantas outras coisas
indispensáveis ao nosso quotidiano, aumentou muito mais no Luxemburgo,
do que em França.
Se
de facto a situação média de quem vive no Luxemburgo, em condições
regulares de emprego e habitação, não pode ser considerada má e,
antes pelo contrário, ela está bem acima da média europeia e muito
mais da média mundial, só olhar para um lado dos números, como é o
caso do nível dos salários mínimos praticados, não chega para ter
uma ideia real da evolução do País em que vivemos. Além disso,
cria-se a ilusão noutros países de que “o Luxemburgo é que está a
dar”, o que é cada vez menos verdade!....
Razões
de sobra para avaliar que, tal como diz o povo, ,.... “nem tudo o que
luz é oiro”!
Luís
Barreira
Dezembro
04
O
“egoismo colectivo” e malsão
As
comunidades são, por norma, egoístas. Há quem se reveja no próprio
umbigo e entenda mal o dito cujo dos outros. Vai daí, há pequenas ou
grandes mazelas sociais. Daquelas que, de uma forma geral, todos dizem
abjurar. Que chegam mesmo a condenar. E a jurar, a pés juntos, que não
estão nos seus hábitos.
Bertold
Brecht, que viveu de 1898 a 1956, deixou-nos um poema que é um portento
de chamada de atenção a essa mesma gente. E que, em tradução, vale a
pena aqui deixar.
Primeiro
levaram os negros
Mas
não me importei com isso
Eu
não era negro.
Em
seguida levaram alguns operários
Mas
não me importei com isso
Eu
também não era operário.
Depois
prenderam os miseráveis
Mas
não me importei com isso
Porque
eu não sou miserável.
Depois
agarraram uns desempregados
Mas
como tenho o meu emprego
Também
não me importei.
Agora
estão a levar-me a mim
Mas
já é tarde.
Como
eu não me importei com ninguém
Ninguém
se importa comigo.
Talvez
que a fraseologia seja demasiadamente cáustica. Dura. De cortar, com a
verdade, pedras rijas e aparentemente inacessíveis ao golpe até do
diamante. Talvez. Só que, de facto, parece destinada a caricaturar pelo
menos caricaturar - muitas das cenas que a nossa própria comunidade
comporta. Que enchem os nossos quotidianos. E brincam à “cabra
cega” com a nossa cegueira. Sim, porque muitos não conseguem enxergar
coisas que estão à vista de todos.
Talvez
nem valha a pena tentar o jogo da adivinhação, no sentido de saber a
quem nos estamos a referir. Interessa-nos, cada vez mais - e felizmente
também a este magazine - o colectivo do que o indivíduo. Este
interessa-nos, quando muito, como amigo ou conhecido. O colectivo, não,
uma vez que ele está connosco e com os outros. Que compõem uma
comunidade, um País, um Mundo. O colectivo, mesmo parecendo que não,
come connosco à mesa, vive paredes meias connosco. Está ali mesmo...
ao pé de nós e dos que são nossos familiares.
Mas,
mesmo assim, ler alguns escritos que vemos por aí leva-nos a pensar que
estamos todos necessitados de uma grande dose de humildade. De caridade
cristã. De amor verdadeiro à solução do real problema das
comunidades. Que é, de facto, o egoismo colectivo e malsão.
Fernando
Cruz Gomes
Novembro
04
Ainda
a Casa Pia!
Quando
todos já nos interrogávamos sobre o estado actual do “processo Casa
Pia”, deixado de lado pelos grandes títulos da imprensa, eis que o
Procurador Geral da República de Portugal, Souto Moura, desenterrou
mais algumas críticas à forma como o processo foi conduzido.
Desta
vez, segundo ele, o embrólio que tem motivado todo este processo
judicial, só foi possível devido à notoriedade dos acusados. Quer
dizer que, se fosse o Sr. Manuel da mercearia ou o Sr. Joaquim do talho,
o processo já teria sido concluído há muito tempo.
Como
também afirma que, pelas mesmas razões, não foram acautelados os
interesses das vítimas, pode depreender-se que os acusados foram
beneficiados em toda esta tramitação legal, em prejuízo dos miúdos
abusados.
É
curioso como afirmações desta natureza podem ser bem aceites pela
opinião pública. O povo, em geral, fica satisfeito por ver os ricos e
poderosos serem igualmente julgados e se os crimes que cometeram, forem
sobre crianças desprotegidas das famílias, como é o caso, os nossos
sentimentos são ainda mais arrebatadores.
No
entanto, estas declarações do Dr. Juiz-Procurador Geral, não podem
escamotear outras verdades mais profundas.
Como
membro do corpo judicial de Portugal, o Sr. Dr. Juiz sabe perfeitamente
que, se os acusados utilizaram a “engenharia jurídica” para
complicar o desenrolar do processo, foi porque a lei o permitia e
permite!
Independentemente
do juízo que cada um faz sobre as culpas de tudo o que se tem produzido
neste processo, os advogados de defesa dos acusados não cometeram
nenhuma injustiça. Foi a justiça existente que lhes permitiu agir
assim e não me lembra de ter visto, até agora, o Dr. Souto Moura a
combater as injustiças da justiça portuguesa. Por outro lado, se os
direitos das vítimas deste processo não foram acautelados, pergunto-me
o que é que está lá a fazer o Procurador Geral da República,
enquanto juiz da causa pública?
De
tudo aquilo que se passou até agora, o povo já tirou uma lição : a
justiça não é cega ou, pelo menos, não é cega para todos! Há uns,
cuja posição social ou a riqueza económica, têm o privilégio de ver
todos os “buracos” da lei e outros, menos bafejados pela sorte, que
andam completamente às cegas pelos meandros da justiça.
Era
isto que o Sr. Procurador deveria ter afirmado. Só que, se o fizesse,
corria o risco de ter que pôr em causa, muito da estrutura profissional
em que se insere.
Só
falta alguém vir à praça pública dizer que, a culpa de toda esta
trapalhada jurídica, é dos órgãos de informação e de toda a
mediatização que foi feita.
Ainda
não ouvi ninguém afirmá-lo de forma contundente, mas tenho a certeza
de que não será o Sr. Procurador Geral a fazê-lo, ainda a braços com
as fugas de informação para os jornais, por parte do pessoal dos seus
serviços e a propósito do processo Casa Pia.
Esperemos
que o processo chegue ao fim, sem mais alfinetadas e com a verdade acima
dos preceitos administrativos da justiça portuguesa. E esperemos que a
imprensa continue a preocupar-se com a divulgação da verdade e não
com a criação de “vedetas ocasionais” que, cada vez mais, abundam
na vida pública do país que nos viu nascer.
Luís
Barreira
Outubro
04
A
SIDA continua a matar!
Já
não é a primeira vez que falo neste assunto e, infelizmente, não me
parece que vá ser a última!
Trata-se
de, mais uma vez, vos alertar para o problema da SIDA.
Não
me vou repetir sobre os milhões de seres humanos infectados pelo HIV e
os muitos milhares de mortos, em continentes como a África e a Ásia,
para já não falar no continente europeu e americano.
Também
não vou fazer prelecções sobre a moral dos costumes e a moral
religiosa, no que diz respeito às formas de evitar este contágio
mortal. Todos sabem o perigo que constitui as relações sexuais não
protegidas, nomeadamente quando acontecem fora do âmbito da fidelidade
entre os parceiros habituais, ou da utilização de seringas já
utilizadas por outros, no caso de pessoas atingidas pelo vício das
drogas.
Acho
que também já todos sabem como agir quando têm dúvidas. Basta fazer
um teste gratuito e anónimo num dos hospitais amplamente anunciados.
Quero
nesta ocasião dizer-vos (mais uma vez...) que a SIDA está aqui, na
nossa sociedade luxemburguesa, a matar mais do que deve!
Desde
o ano 2000 que assistimos a um aumento regular do número de novos casos
(40 em média anual) e, só nos primeiros 8 meses deste ano, já foram
detectados mais 44 casos de novas infecções, segundo um relatório da
associação Stop Aids Now.
O
Luxemburgo está na primeira linha de 15 países países da União
Europeia, com a mais alta taxa de novas infecções.
Portanto,
a morte está de facto aqui, espreitando entre os incautos e todo o
cuidado é pouco, pese embora a descoberta de novos medicamentos que
evitam o desenvolvimento da doença, mas não a curam.
Não
sei porque não se fala mais nisto! O que eu sei é que, o facto de o não
fazer, pode dar a falsa ideia que esta “peste” está controlada ou
que já se cura. Infelizmente não é assim e a continuarmos a iludir o
problema da prevenção, não agindo, não falando, não discutindo, nem
reclamando, estamos a tornar-nos cúmplices destas mortes anunciadas.
Não
gostaria de falar sobre a morte, preferia falar sobre a vida e ela, é
um bem tão precioso, que é um perfeito disparate deitá-la para o lixo
numa atitude irreflectida. Por isso, se não podem evitar os vossos
impulsos, protejam-se!
Pior
ainda, é o desprezo pela vida humana dos outros, daqueles a quem
podemos infectar, por negligência nossa. Se não tem pena de si, tenha
pena dos outros, que não têm culpa nenhuma da sua loucura pessoal.
Portanto,
meus amigos, a escolha é vossa mas... depois, não digam que não
sabiam.
Luís
Barreira
Outubro
04
O
Conselho que (ainda) não temos
O
tempo voa.
Mesmo
sem asas, encastela-se por sobre a cabeça dos que (ainda) pensam e só
não ensina nada... se nada quisermos aprender. Nas “ondas” da
Internet, chega a dar a ideia de que o tal tempo... não tem tempo e
surgem “conversas” que só poderão surpreender um que outro
incauto. Aos outros, decerto a maioria, já não causa surpresa.
Agora
é o Conselho das Comunidades Portuguesas que está em foco. João
Machado, Conselheiro de França, eleito no Círculo de Nogent-sur-Marne,
diz que não vai à reunião de 25 e 26 de Setembro e explica porquê. O
seu “Porque é que não vou a Lisboa” é, no fundo, um grito de alma
que já outros lançaram. E que só não ouve... quem não quer ouvir.
Quando,
há uns bons 25 anos, fomos à primeira reunião do Conselho das
Comunidades, salvo erro ao Palácio Foz, em Lisboa, ainda havia
demasiadas expectativas. Acreditávamos todos -e quem estas linhas traça
era por essa altura delegado do Canadá, juntamente com um sacerdote de
Kingston, Ontario - que as comunidades iriam ser “bem servidas”. Que
era possível acreditar na pureza de intenções do Governo de então.
Que, com um pouco de jeito e boa vontade... éramos bem capazes de levar
a carta a Garcia. Ajudá
-mos,
então, depois de dois ou três dias de trabalhos, a redigir as conclusões
e as recomendações. Acreditávamos e João Machado também (se for
quem temos na mente).
Como
a fé é que nos anima... tínhamos fé. As recomendações iriam ser
postas em prática. O Governo - aquele e os outros que se lhe seguissem
- ia ter em conta a diáspora. Ia, afinal, entender que somos cada vez
menos os 10 milhões de Portugueses, de que se cuida, mas sim os 15 milhões
de que também se deveria cuidar. E o Conselho das Comunidades
Portuguesas ia, assim, fazer a sua parte.
Pois...
Os anos rolaram. Os tempos deram tempo... ao tempo da indecisão. E
cinco ou seis anos depois, na última reunião do Conselho das
Comunidades Portuguesas, na fase que então era a legal, até a fé nos
roubaram. Ficamos sem nada. Estamos sem nada. É que voltámos a ser nós
a redigir as conclusões e as recomendações. Mais do que isso...
delegaram em nós - e cremos que quem fez mais força foi até a França,
face ao “ar humanista” que o Canadá sempre teve - falar, na sessão
solene (que nós nem sabíamos que era a última...) e dizer alto e bom
som... que tivemos extrema dificuldade em alinharmos as recomendações
porque, em boa verdade, e para sermos coerentes, teríamos de fazer as
mesmas que cinco anos tínhamos feito na primeira reunião do Conselho
das Comunidades Portuguesas.
Recordamos
até que, no final da reunião, o bom do Correia de Jesus, que era então
o secretário de Estado, se virou para nós e com um ar quase
“sofredor”... nos perguntou ao ouvir tantas críticas formuladas por
nós próprios: “Tu... também?!” Cremos bem que ele não entendia,
na altura, que ser militante de um Partido não é, de forma alguma, sinónimo
de ser amorfo, sem espinha dorsal. Hoje é bem capaz de já o ter
aprendido...
Nessas
recomendações - há 25 anos - uma das que mais gritante se tornava era
do ensino de Português no estrangeiro. E quando o conselheiro de França
nos fala... no pouco caso que se dá a esse item... não podemos nós
esquecer que, nesta parte do Mundo - Canadá, Estados Unidos, Venezuela,
etc. - não se fez “pouco” pelo Ensino. Fez-se “nada”... Faz-se
ainda “nada”. O mesmo se pode dizer da RTP onde “triangulação de
informação” é desconhecida e continuamos - mesmo com os
“Contactos” - a sensibilizarmo-nos uns aos outros, porque não temos
direito a ser ouvidos em Portugal. Há, de facto, um divórcio entre os
10 milhões de Portugueses (em Portugal) e os 5 milhões de Portugueses
no exterior.
Quem
nos acode? - João Machado - seja ele de que quadrante político for -
tem razão.
Ir
a Lisboa para ouvir o que já ouviu... discutir o que já discutiu... e
voltar com remorsos de ter perdido o seu tempo... é menos que nada. Não
vá. E pena será que outros não lhe copiem o exemplo...
Fernando
Cruz Gomes
Setembro
04
Portugueses,
um povo “desenrascado”!
Acabaram-se
as férias para muitos de nós e, para muitos, renovaram-se as saudades
pela gente da terra, que continua viva e feliz, pelos campos que não
arderam, pelas praias que não estão poluídas e pelo sol,... quando não
fazia “caretas”!
Para
aqueles que raramente vão a Portugal é também motivo de orgulho as
grandes obras que entretanto se fizeram, as necessárias e as outras,
aquelas de usufruto temporário, cujos montantes investidos, poderiam
dar para resolver muitas das assimetrias do nosso desenvolvimento.
Outro
aspecto que nos impressiona, é o notável apetite das nossas novas gerações
pelas novas te-cnologias : os últimos gritos de telemóveis ; os novíssimos
computadores “XPTO” ; os carros de grande cilindrada, que se
amontoam nos stands e o “xiriri” dos televisores de écran plasma e
as aparelhagens sound, de último modelo. É impressionante ver toda a
gente interessada em consumir o conforto do futuro, num presente
insuficiente.
Mas
o mais curioso e que nos deixa tantas vezes estupefactos, é a observação
de que quase toda a gente se queixa : “isto está muito mal,..”,
“..o negócio não dá nada...”, “não há trabalho...”,
“...estamos cada vez pior...”, mas vamos encontrá-los mais tarde,
alegres e sorridentes, à mesa de um restaurante ou às compras em lojas
chiques.
Naturalmente
que não são todos e a crise não é virtual. Muitos vivem mal e o seu
mau estar económico é bem real. No entanto, a vida social, é cada vez
mais comandada pelas aparências.
A
surpresa vai para além dos limites com a nossa modernidade urbana
rural. As pequenas vilas e muitas das aldeias, têm já um ar lavado,
bons restaurantes, em vez de tascas, ruas floridas, em vez de amontoados
de lixo e muito pouca gente, porque há muito pouco trabalho e, em
consequência, é preciso partir. Mas os que ficam, nomeadamente os mais
jovens, têm hoje à sua disposição enormes discotecas e grandes
centros comerciais (onde tudo se compra a prestações), para passear ao
domingo e gastar uns “cobres”, do orçamento familiar, em cocktails
exóticos e em roupas de grandes marcas.
Já
nada é como dantes! Já não se cosem meias, não se disfarçam
colarinhos gastos, não se manda pôr meias solas, não se reparam rádios
ou televisores, não se repintam os carros, não se come em tascas
(salvo as que são caras), nem se leva o farnel para a praia.
A
Europa é que nos ensinou e a Europa também somos nós, caramba!
O
que é que nos interessa se o PIB, de Portugal, já é mais baixo do que
o da Grécia e cada vez mais longe do espanhol? Não temos culpa!?...
O
que é que nos importa se há muito desemprego? Talvez com o subsídio
de desemprego e o “biscate” se ganhe mais!?...
Que
nos interessa haver pouco dinheiro no bolso? Temos o Visa!?… As
pessoas têm direito a férias e até parece absurdo não sair do País,
o que é que diriam os amigos?...
Porque
é que devemos estar sempre a carpir as mágoas por causa do déficit,
da burocracia das instituições, dos problemas da justiça e da injustiça,
dos impostos que muita gente não paga, da desorganização e falta de
meios para combater os fogos, da pouca produtividade das empresas, do
partido A e do partido B? O País esteve de férias e o governo também!
É
preciso descansar para voltar a embaralhar e dar de novo e, nesse
sentido, parece que as melhores conversas para férias, são aquelas que
nos fazem rir e sonhar, do género : a “Cindinha”, que deu uma festa
nos seu palacete ; o ministro X, fotografado com uma actriz X ; o tipo
que roubou as K7, ao tipo que roubou as declarações do amigo ; o novo
visual da casa do casal mais badalado da praia dos tomates ; o barco do
desamor, que não atraca nem ataca ; a festa da sardinha, do marisco, do
chocolate e do pão de ló e, se houver tempo, fazer as palavras
cruzadas dos jornais.
Com
todos os exageros que este comentário contém, há algo de verdade
repetida, em tudo o que antes foi dito, o que me leva a considerar que,
de facto, os portugueses,... são um povo “desenrascado”!
Luís
Barreira
Setembro
04
Coitado
do Zé Maria
As
sociedades têm destas coisas. Enrolam-se em contradições, vociferando
paixões que nem sempre o são. Deixam, no ar, imagens que, inatingíveis,
já que ireeais, metralham os corpos daqueles que se deixam iludir no
jogo do faz-de-conta. Acredita-se muito no que se vê na Televisão. E
nos Filmes. Abomina-se o normal viver. E sonha-se com... situações que
às vezes não passam de simples miragens.
Helena
Sacadura Cabral contava, há dias, no DN de Lisboa, que Zé Maria, o
vencedor do primeiro Big Brother nacional, foi há dias impedido por
elementos da Brigada de Trânsito de se atirar da Ponte 25 de Abril. O
candidato a suicida foi depois levado para um Hospital e depois para o
outro, que achou que ele estava “bom” e deixou que ele reentrasse,
novamente, na tal sociedade de onde se queria afastar.
Passadas
algumas horas, já o bom do Zé Maria andava nu pela Avenida 24 de
Julho. Nuzinho de todo. Como a mãe o trouxera ao mundo. Internado,
novamente, no hospital, chegaram os médicos à conclusão mais do que lógica
de que ele deveria ser internado
num Hospital para doentes mentais.
A
história só não termina aqui, por se revestir de contornos tristes e
mais tristes parecendo. A darem a entender que os Big Brothers da nossa
angústia são capazes de transformar um homem simples, humilde e até
digno num farrapo humano onde as coisas más só não acontecem por
haver quem… sirva e proteja. O Zé Maria é, mesmo assim, exemplo. E
exemplo que não pode deixar de ser sopesado. É que deram à sua mente
um “escape” demasiadamente irreal, que ele não soube destrinçar.
Deram-lhe uma notoriedade para a qual não estava preparado.
Os
valores da sociedade que criámos - todos nós, como importa não
esquecer… - pautaram na mente do Zé Maria uma psicose que o
traumatizou. Deram-lhe a entender ser… o que não era. De simples
jovem mais ou menos anónimo de Barrancos passou a ser um vencedor. Um
vencedor que muitos milhares de pessoas idolatravam. Vencedor sem cuidar
de entender - porquê não sabemos - que tudo aquilo era efémero e
passageiro. Que não era real. Que a sua vitória era, afinal, fruto de
ingredientes que não pesavam na balança certa de uma mente
equilibrada.
A
sociedade tem destas coisas. A sociedade, nas suas fronteiras reais, não
disse ao Zé Maria que não levasse muito a sério tudo aquilo. Que a
Televisão e o Cinema só mostram os “melhores” - mesmo que feitos
de um barro menos bom - porque as audiências exigem isso. Que as
trombetas da fama só tocam quando é necessário dar uma ideia
demasiadamente risonha do mundo… para efeitos de comércio.
Os
“momentos de glória” por que muitos passam - em Toronto como em
Lisboa e na China como na Venezuela - são apenas fugazes. Para se
tornarem famosos, os nossos Zés Maria fazem o que for necessário.
Homens e mulheres transformam-se em “palhaços” que até têm de rir
para não chorar… a troco desses tais momentos de glória. Depois…
é o sonho inatingível. Sonham ser jornalistas, apresentadores,
actores. Alcandorados aos galarins da fama, julgam-se mesmo aquilo que não
são.
A
seguir, para alguns, vêm as tentativas de suicídio. As
excentricidades. O querer ser, à força, aquilo que se não é. Talvez
para manterem os tais momentos de glória que não souberam entender. Vêm,
afinal, as “contas da modista”, já que é preciso pagar, e com
juros, a glória para a qual se não estava preparado.
Coitado
do Zé Maria! Deste… e dos muitos que enxameiam as nossas comunidades.
E que não conseguem entrar no jogo do faz de conta. Sem pensar que tudo
aquilo é mesmo irreal. Coitado do Zé Maria!
Fernando
Cruz Gomes
Julho
04
A
“Torre de Babel”!
Decorreram
no Luxemburgo, no passado Domingo, 13 de Junho, as eleições europeias
e as eleições legislativas do País.
Se,
no caso das legislativas nacionais, os estrangeiros residentes apenas se
limitaram a assistir, na condição de
para o qual não foram convidados, mas para o qual contribuem,
construindo os cenários, pagando o seu bilhete e aguardando que ele
seja um sucesso de bilheteira, no caso das europeias, um número razoável
dos já inscritos participou, elegendo os seus deputados ao Parlamento
Europeu.
E
é sobre as Europeias, enquanto cidadãos de pleno direito nesta Europa
a 25, que gostaria de expressar algumas considerações.
Em
média, a abstenção verificada nestas últimas eleições europeias,
foi de cerca de 56%, ou seja, o pior resultado de sempre.
Toda
a gente o previa, a alguns dias das eleições. Um pouco antes do acto
eleitoral, uma boa parte dos políticos vieram à praça pública
suplicar aos cidadãos para votarem. No entanto, uma grande maioria não
veio e não votou!
Entretanto,
e o que é mais curioso, é que, salvo algumas excepções, o maior nível
de abstenção não se deu entre os países mais antigos da União
Europeia, aqueles em que se poderia pensar que, face ao habitual divórcio
entre os cidadãos e os seus representantes, os povos decidissem mostrar
a sua apatia, desligando-se dos seus órgãos europeus.
O
que é curioso (e perigoso...) é que a maior percentagem de
abstencionistas veio de alguns dos países que entraram muito
recentemente na União, quando se esperaria que o entusiasmo que rodeou
a sua entrada tivesse, como resultado, uma ampla participação no acto
eleitoral.
A
Eslováquia, a Polónia, a Estónia, a Eslovénia, a República Checa, a
Letónia, Lituânia e a Hungria, países que representam mais de 70 milhões
de pessoas, no interior da União Europeia, tiveram níveis de abstenção
superiores a 60%. Se juntarmos a este lote alguns dos mais antigos e que
também ultrapassaram, em abstenção, essa percentagem, como é o caso
de Portugal, a Holanda e o Reino Unido, com cerca de 84 milhões de
cidadãos, no seu conjunto, então a situação é ainda mais
complicada, exasperante e perigosa.
É
complicada, na medida em que, a euforia do alargamento, nem sequer
mobilizou os novos países, dos quais se esperaria que refrescassem o
vigor das instituições europeias, fazendo antever grandes dificuldades
na crença destes povos, nos ideais da União e na sua adaptação às
regras de um novo jogo, que iniciaram agora.
Exasperante,
porque demonstra, mais uma vez, a ausência e a má qualidade do
trabalho político, desenvolvido pela instituições europeias e seus
representantes, junto dos povos que presumem representar.
É
perigosa, na medida em que, face ao déficit de participação popular,
os eleitos não têm legitimidade real para representar tantos milhões
de cidadãos que englobam esta Europa, enfraquecendo as instituições
europeias nas suas decisões e tornando-as presa fácil de qualquer
“solavanco” político, nacional ou internacional.
Um
outro facto assinalável, na análise dos resultados destas eleições
é que, a esmagadora maioria dos cidadãos que votaram, fizeram-no, não
a pensar na Europa, mas com os olhos postos na política dos seus
respectivos países, ou seja, premiando ou penalizando os respectivos
governos, pelo seu desempenho governativo nacional.
Mais
uma vez se consubstancia o divórcio, entre as pessoas e os responsáveis
pela política europeia.
Mais
uma vez se apela para o tanto que há fazer no domínio da cidadania
europeia e na valorização dos seus ideais de democracia participativa.
Mais
uma vez se alerta para os perigos de se estar a enveredar pela construção
de uma “Torre de Babel”!
Luís
Barreira
Julho
04
Cantar
Portugal
O
“Dia de Portugal” tem muito mais visibilidade nas comunidades
portuguesas espalhadas pelo mundo... do que em Portugal. Certo. Sabido.
Comprovadamente real. A saudade é bem capaz de ter a ver com isso. A
saudade e um certo apego as tradições que já o eram em tempos
recuados, perderam a força nas fronteiras portuguesas e reganharam uma
nova forma de ser no estrangeiro. Com excepções?
-
Decerto que sim... mas com factos palpáveis e reais que podem ser
comprovados nas Paradas de Newark e de Toronto.
Na
Parada da Semana de Portugal, em Toronto, mais de 100 mil pessoas
postaram-se ao longo das ruas a ver passar um cortejo quase etnográfico,
à falta de melhor termo, onde as actividades da comunidade e do
Portugal de ontem passavam em revista.
E
mesmo quando, no nosso jeito atávico de “dizer coisas” -
normalmente apelidado de maledicência - acentuamos que “para as
comunidades só nos mandam figuras de segunda categoria...”, hemos de
refutar a ideia, pelo menos no que toca ao Canadá. Durante 5 dias,
esteve na cidade principal (Toronto) o ministro dos Assuntos
Parlamentares, Luís Marques Mendes, que conseguiu vestir a pele do
emigrante, deu “dicas” de quanto baste, abordando temas que eram
como que tabu - como o fez no caso do Ensino da Língua Pátria - e
cantou, com os desta parte do mundo, o Hino Nacional melhor que nós
temos, ou seja, o apego ao trabalho, a dedicação à Pátria, o
reconhecimento do que a “gente de fora” vai fazendo.
Dizem-nos,
e não seremos nós a negar, que Marques Mendes é um dos poucos
ministros “desalinhados” do actual Governo, não comungando de um
certo “seguidismo” a correntes de opinião ou a tendências que
existem sempre nos Partidos. Talvez entronque aí a sua forma de actuar.
Só que ficou, na mente de muitos, a ideia de que as comunidades desta
parte do mundo - as comunidades da Europa, embora pareçam, não são
iguais... - ganharam mais um “advogado”. Gratuito, por que não o
pediram. Voluntário, porque se interessou ele próprio por ver coisas.
Consciente, por que falou, sempre, de improviso, ao sabor do coração.
“Para
se entender verdadeiramente Portugal e os Portugueses” é imperioso
que se saia de Portugal. A frase, talvez com outra roupagem, é deste
ministro que se deslocou pela primeira vez a “estas” comunidades.
Quem
estas linhas traça, mercê da profissão, tem vindo, nos últimos
tempos, a acompanhar a realização das Festas oficiais do 10 de Junho.
Nenhuma... que se compare às de Toronto ou Newark. Ou antes...
grandiosas como estas só as que, no ano passado, tiveram sede na cidade
de Angra do Heroísmo, na Terceira. Mas isso, talvez, porque os Açores
sempre foram, também, considerados “muito longe” da Pátria-mãe,
que é às vezes madrasta...
Fernando
Cruz Gomes
Junho
04
A
“Carta de Macau”
Os
jornalistas e órgãos de informação de expres-são portuguesa, na diáspora,
acabam de dar um passo decisivo para a sua organização e afirmação,
junto de Portugal e seus governantes.
Numa
luta, que dura há anos, para conseguirem ser considerados como
elementos fundamentais de uma rela-ção entre os portugueses, vivendo
no seu País e as diversas comunidades portuguesas espalhados por todo o
mundo, os órgãos de informação em língua portuguesa, do Canadá à
Austrália, ou dos Estados Unidos ao Luxemburgo, viram agora em Macau
realizar-se um sonho que ocupava a sua preocupação, há já longos
anos e que constituí uma etapa fundamental para os objectivos que têm
em mente.
Assim,
através da sua associação e o respectivo reconhecimento que tal
estatuto lhes confere, a nova associação está em condições de se
assumir como um parceiro efectivo: na relação entre o País e a metade
da sua população, que vive no exterior; entre si próprios, difundindo
informação interessante, entre as comunidades e fazendo conhecer as
suas particularidades e entre os portugueses, residentes fora de
Portugal e o os que vivem no seu interior.
Há
muito que acusávamos os governos e os órgãos de informação de
Portugal, de dar uma imagem inexacta da realidade actual das comunidades
portuguesas. Para muitos deles, os emigrantes, continuavam a arrastar as
“malas de cartão” nas gares dos combóios e a “vegetar” nas
sociedades de acolhimento.
Habituados
a ver o resto do mundo pelo seu umbigo e ignorando completamente a dinâmica
de desenvolvimento social, que entretanto se processou nas nossas
comunidades, os jornais, televisões ou rádios de Portugal
“esqueceram-se”, sistematicamente, de publicitar a vida e a obra de
alguns milhões de portugueses e luso falantes que, por condições mais
diversas, saíram um dia do seu país, mas não deixaram de ser
“teimosamente” portugueses.
Habituados
à aritmética política de “quem não vota, não conta” e tendo
apenas como horizonte da sua acção pública, o período da sua
legislatura, muitos representantes do povo de Portugal, entre o qual nos
encontramos, deram pouca ou nenhuma importância aos portugueses que se
encontravam no exterior, fazendo-nos notar que, sem a nossa participação
eleitoral, em Portugal, éramos portugueses de “segunda”, ou nem
sequer portugueses seríamos.
Mas,...
talvez porque as remessas dos emigrantes baixaram e Portugal não está
em condições delas prescindir ; talvez porque Portugal precisa de
exportar, como “pão para a boca” e muitas das acções económicas
passam pelas suas comunidades no exterior ; talvez porque, a actual
sociedade política portuguesa, despertou para esta imensa riqueza,
cultural e económica, que representam os mais de cinco milhões de
portugueses fora do seu país, nas mais diversas sociedades deste
planeta e a ocupar lugares sociais e profissionais de relevo.
Mas
sem dúvida, pela persistência com que, nos mais diversos palcos e
ocasiões, muitos portugueses residentes fora do País, reclamavam o
reconhecimento das suas comunidades, como parte integrante do povo
português, esta realidade esquecida, durante décadas, começa a ter um
certo impacto junto das consciências públicas portuguesas.
O
caso da recente organização dos órgãos de informação, fora do
Portugal, que há anos fazem um esforço desesperado para manterem a língua
portuguesa viva, nas mais longínquas paragens e com todo o sacrifício
e “carolice” que tal disponibilidade implica, é também um reflexo
do crescimento responsável, das suas respectivas comunidades e uma
mudança, na sua atitude para com o país de origem.
É
bom que tal tenha acontecido em Macau, enquanto prova de que, não
importa a distância quando os sentimentos são fortes e partilhados.
Razão
pela qual e com o acordo estabelecido, que se designou como “Carta de
Macau”, não queremos mais pedir que nos oiçam, queremos exigir que
nos sintam!
Luís
Barreira
Maio
04
A
guerra do Iraque já é comparada à do Vietname
Ser
Kennedy tem, ainda, nos Estados Unidos, alguma vantagem. Dá, pelo
menos, a possibilidade de se dizerem coisas… que outros não poderiam.
E que, mesmo que o pudessem, talvez preferissem ficar calados.
Há
dias, num discurso no Centro de investigação Brookings Institution, em
Washington, Ted Kennedy afirmou que “o Iraque é o Vietname de George
W. Bush” e defendeu que os Estados Unidos precisam de “um novo
presidente”. Se tivermos em linha de conta que a afirmação vem de um
senador democrata, poder-se-á pensar não se tratar mais do que uma
“operação política”. Só que este Kennedy, com o peso que o nome
familiar lhe dá, veio dizer algo do que muitos norte-americanos - e
muito mais estrangeiros - já pensam.
E
de tal maneira que o próprio secretário de Estado norte-americano,
Colin Powell, teve de fazer, logo a seguir, o que os jornalistas já
chamam “uma incursão inesperada” na campanha eleitoral para as
presidenciais de Novembro, atacando, naturalmente, aquele senador.
Powell foi afirmando, desde
logo, que o senador democrata devia ser “mais contido e prudente”
quando fala do Iraque, já que os Estados Unidos estão “em guerra”.
Powell
defendeu, naturalmente, o “seu” presidente e o “seu” Partido. Não
pode é esquecer - como, anteriormente, lembrara Ted Kennedy - que “ao
partir para a guerra no Iraque com pretextos falaciosos e ao descurar a
verdadeira guerra contra o terrorismo, o presidente Bush deu à Al-Qaida
dois anos - dois anos inteiros - para se reagrupar e reposicionar nas
regiões fronteiriças do Afeganistão”. Frase que, de facto, define
algo parecido com uma tragédia, face ao que se está a ver um pouco por
todo o mundo.
Esta
tomada de posição de Kennedy ocorreu depois de a coligação no Iraque
ter enfrentado num fim de semana os combates mais mortíferos desde o
derrube do antigo presidente iraquiano Saddam Hussein, a 9 de Abril de
2003. A verdade é que Ted Kennedy censura, desde há muito, a política
externa e de defesa da administração Bush e da maioria republicana no
Congresso, acusando-os de porem os Estados Unidos “em perigo”. Uma
outra voz que ultimamente se levanta contra o estado de coisas que
decorrem no Iraque é a do antigo chefe de desarmamento das Nações
Unidas, Hans Blix. Para já, insiste que a única solução no Iraque é
a ONU assegurar a transição em vez dos Estados Unidos cuja ocupação
é sentida como “uma humilhação”. Para ele, “a ocupação foi um
erro” e os iraquianos acham que se trata de “uma humilhação que
contribui para o terrorismo”.
Blix
foi insistindo, ainda, que Bush e Blair “não tiveram sentido crítico”
e “deveriam ter sido prudentes nas suas declarações” quando
afirmaram que Saddam Hussein (o deposto presidente iraquiano) possuía
armas de destruição maciça que não foram encontradas”.
Fernando
Cruz Gomes
Maio
04
Cowboys
Habitualmente
não divulgo aqui os comentários que recebo a propósito das crónicas
que escrevo. Hoje abro uma excepção. Alguém me disse que o texto do mês
passado era um pouco tarado. Resposta : Concordo. Era esse o objectivo.
Assunto encerrado.
Nesta
crónica “Cowboy” será usado em lugar de George W. Bush e “Pai
Natal” em substituição de Saddam Hussein.
Desde
que o Cowboy decidiu salvar o mundo do Pai Natal, nunca tínhamos
assistido a um mês tão negro como Abril. O número de civis raptados
no Iraque foi tão grande que qualquer dia o Cowboy vem anunciar aos
Estados Unidos do Mundo, vulgo Estados Unidos da América, que afinal a
sua administração estava enganada : O Pai Natal era o único iraquiano
respeitador e os outros são todos uns terroristas de segunda linha.
Que
as coisas não lhe andam a correr bem lá para a terra do petróleo, até
o próprio já sabe, mas de certeza que nunca esperou que lhe corressem
tão mal. Se à desgraça juntarmos o facto de que os cidadãos do
mundo, perdão, os cidadãos norte-americanos vão a votos ainda este
ano, então o que se está a passar para lá do sol posto é não só o
espelho da própria política do Texano dono do Mundo, como assume
contornos de Crime Contra a Humanidade, isto se o Cowboy (também
conhe-cido por Bush) continuar a cair nas sondagens, em benefício do
seu mais directo adversário, John Kerry.
O
que eu não consigo definitivamente perceber é como é que os cerebrais
americanos não adivinharam que a desgraça ia acontecer, mesmo depois
do nefasto Pai Natal cair nas mãos dos seguidores do Capitão América.
É que qualquer um de nós, meros mortais, percebeu, desde logo, que o
caldo não ia parar de verter, lá porque o ditador tinha sido apanhado.
Quem
acredita em alguém, não deixa nunca de acreditar lá porque esse alguém
está preso. Ganhando até a motivação extra de estarem a lutar por
uma dupla causa : A ocupação do seu território e a prisão de um líder,
ainda que não tenha grandes dúvidas que uma parte significativa
daqueles que hoje se revoltam fossem, até há pouco, anti-Pai Natal,
mas aos seus olhos tudo é melhor que made in USA.
Longe
do meu vazio cerebral pensar em assinar por baixo os actos terroristas
que têm sido cometidos, quer sejam eles praticados contra civis
indefesos ou militares fortemente armados, mas agora, como em 2001, os
Estados Unidos estão a pagar a factura daquilo que mais gostam de
mostrar à aldeia dita global : o seu poderio e a sua prepotência.
Quando
ligo a televisão e vejo o que se passa no Mundo, cada vez mais me
convenço que, bem vistas as coisas, de cada vez que se dispara uma arma
contra quem não se pode defender, quer seja americano ou iraquiano o
autor do disparo, se comete, nesse mesmo instante, um acto do mais puro
e repugnante terrorismo.
Nuno
Ferreira
Maio
04
Uma
guerra “fresquinha” que ninguém quer
Ninguém
a quer e ela continua. Todos dizem que a fizeram por amor à democracia
e à verdade e, no entanto, tem ceifado vidas e mais vidas de um lado e
do outro. Se é facto que a guerra no Iraque -injusta, porque à revelia
das Nações Unidas - está para lavar e durar, não é menos facto que
está a fazer nascer toda uma panóplia de atitudes e posições que
seriam impensáveis há meia dúzia de semanas atrás.
Para
já, deixem-nos dizer que um leigo, mesmo um qualquer leigo bem
intencionado, entende que a saída das tropas espanholas do Iraque é…
bom sinal para Portugal. A partir de agora, os espanhóis são capazes
de ter, como aliados preferenciais - é um aborrecimento ter de o
dizer… - os extremistas muçulmanos que estão a “remar contra a maré”,
em várias frentes, designadamente no Iraque e no Afeganistão. Esses são,
de facto, os novos aliados de Madrid. E tanto assim que assistimos logo
ao gesto de al-Sadr a dar instruções aos seus apaniguados para não
actuarem contra as tropas de Espanha.
Zapatero
é bem capaz de perceber isso mais tarde. Só que por essa altura já os
rios carrearam muita água e é capaz de ter havido mais umas quantas
centenas de mortes aqui, além, mais acolá.
E se tivermos em linha de conta que a Espanha é presentemente
membro do Conselho de Segurança… hemos de crer que poderia ali tentar
que até 30 de Junho a própria ONU se comprometesse com qualquer
atitude que… limpasse a face do Governo de Madrid de forma a não o
empurrar para uma decisão tão drástica, como a que lhe é ditada
pelos parceiros da esquerda e pelos que emocionalmente ainda têm nos
olhos e no coração o morticínio de 11 de Março.
Retomando
o fio à meada, diremos - e nem sequer somos só nós a dizê-lo - que a
decisão do novo Governo espanhol beneficia a posição de Portugal.
Talvez como interlocutor privilegiado de Washington, em termos da Península
Ibérica. Se a decisão até é capaz de reforçar uma certa aproximação
a um eixo que passa por Berlim e Paris! Tudo isto é, de facto, um
ligeiro “empurrão” a Portugal para se pôr mais em bicos de pés e
entrar, assim, em corredores onde até há pouco seria impensável
entrar.
De
qualquer modo, tudo isto irá por água abaixo se Portugal não souber
tirar partido da situação. Se continuar a navegar “só” nas águas
de uma das partes do conflito, esquecendo as outras. Durão Barroso, que
foi um óptimo ministro dos Negócios Estrangeiros, no tempo em que o
timoneiro era Cavaco Silva, tem de saber sopesar todos os “balanços
do Poder” e entender aquilo que mais útil nos poderá ser.
Se
assim não fizer, se Portugal não souber tirar partido da situação de
privilégio - que agora lhe foi dada de bandeja por Madrid - decerto que
as gerações futuras se terão de interrogar sobre o que estávamos
todos a fazer, naquele dia e naquela hora, em que quatro políticos se
encontraram na Terceira, antes de começar uma guerra que já entrou -
está a entrar - na História. E que ceifou - está a ceifar - milhares
de vidas.
Fernando
Cruz Gomes
Abril
04
Terrorismo
vs. Democracia
Os
recentes atentados terroristas em Madrid têm feito gastar muita tinta
de jornais e revistas e já causaram a morte e a chaga, (para além das
infelizes vítimas físicas destes bárbaros criminosos dos tempos
modernos), de alguns dos políticos do nosso país vizinho.
No
entanto e para além das incertezas e das dúvidas, que nos possam
merecer os factos provados, algumas certezas podemos, desde já
constatar, como incontestáveis verdades.
O
“amigo, (ou inimigo), americano”, ou os seus aliados, não são o único
alvo destes sacos-bomba, homens-bomba, viaturas armadilhadas ou simples
engenhos destruidores teleguiados!
E
mesmo que estes facínoras tentem fazer crer que assim é, está por
explicar o atentado contra os xiitas, durante as suas recentes celebrações
religiosas no Iraque. E, que eu saiba, o Irão, pátria desta
comunidade, não é propriamente um amigo do “Tio Sam”.
Portanto,
esta nova e impiedosa mafia internacional, só tem um objectivo
fundamental: afundar todo e qualquer sistema social democrático que
possa, de alguma forma, influenciar e alterar o modelo esclavagista em
que assentam as sociedades que controlavam, ou controlam de forma
indirecta, como foi, no primeiro caso, o Afeganistão.
Mas,
para que estes novos acólitos do crime organizado, possam cumprir a sua
missão destruidora de vidas humanas, com o apoio suficiente que lhes
garanta o sucesso das suas missões assassinas, inventaram, numa leitura
enviesada do Corão, um guia espiritual para o sacrifício dos seus
militantes e, na exploração económica de alguns povos do mundo, a razão
prática para obterem o favorecimento de algumas populações.
Sendo
assim, este tipo de “Mafia” ou “Cosa Nostra”, nada tem a ver com
o antecedente destas organizações e, como tal, não pode ser combatido
da mesma maneira. Não pode ser combatido criando sociedades policiadas,
destruindo a liberdade e direitos dos cidadãos e, mesmo que o fosse, a
vulnerabilidade das nossas sociedades é de tal ordem que, tais medidas,
só teriam eficácia para impor pequenas e grandes ditaduras das
instituições, não conseguindo erradicar o flagelo do terrorismo.
Por
outro lado, se foi criticável e bem criticado nas urnas, o
comportamento do governo espanhol, face à origem dos atentados, não são
menos lesivas da humanidade, as declarações precipitadas do novo líder
que, mesmo antes de ser nomeado 1° Ministro de Espanha, já afirmava
que iria retirar os soldados espanhóis do Iraque. Circunstâncias que,
na minha opinião, deram mais fôlego aos propósitos destes bárbaros
que, para além de constatarem a influência do atentado, no curso da
democracia espanhola, obtiveram o que reivindicavam: o anúncio público
da retirada das tropas daquele país do Iraque, não pela vontade
expressa demonstrada pelo povo espanhol, no início da guerra, mas
interpretada como uma cedência à chantagem terrorista.
Em
nome de evocadas explorações dos povos, de conquistas de poder e de
crenças religiosas, a humanidade já sofreu que baste!
É
tempo de impor os valores que, até agora, mais garantiram a paz e o
progresso dos povos, ou sejam, a liberdade e prosperidade dos seres
humanos, o respeito pela diferença, o humanismo dos princípios, o
exercício permanente da democracia.
Este
é o único e melhor combate, à escala planetária, contra o
terrorismo, em todas as suas vertentes. A justa democracia nas relações
entre os cidadãos e entre as nações, num planeta que tem,
obrigatoriamente, de se desenvolver harmoniosamente.
E
isso é tarefa de todas as nações e povos do mundo e, até agora, a única
organização mundial que pode oferecer um tal serviço à humanidade, são
as Nações Unidas e não nenhum país arauto da democracia, ou um clube
de amigos ricos, por mais poderosos que sejam.
Luis
Barreira
Abril
04
Um
aniversário ainda sombrio
Há
pouco mais de dois anos, Durão Barroso afirmava, alto e bom som, que
“o País estava de tanga”. A frase foi ouvida. Comentada. Doeu a
muitos. Mas, pelos vistos, o país estava mesmo “de tanga”. E o
Governo PSD/PP, agora a completar dois anos de mandato, estava
consciente do que iria ter de fazer. Do sofrimento colectivo - ou quase
colectivo - que iria desencadear.
Como
meta prioritária, importava pôr as finanças públicas em ordem. Com
uma conjuntura internacional desfavorável e herdando “doenças”
demasiadamente graves, não era fácil a tarefa. Até porque era necessário
reganhar credibilidade designadamente em Bruxelas, face à União
Europeia que anotava, desde há muito, o despesismo desenfreado do
(des)governo de Lisboa. O défice orçamental tinha de ser agarrado com
unhas e dentes para não disparar ainda mais. E como a retoma
internacional demorou mais do que se previa... Durão Barroso e a
super-ministra Ferreira Leite foram tapando fogos, deixando de lado, até,
promessas feitas. O estilo era o de que “vão-se os anéis mas fiquem
os dedos...”
E
o “remédio” foi tão forte - ou melhor, está a ser tão forte -
que tomando a nuvem por Juno, continuam algumas cassandras da desgraça...
a dizer que o País não só não está a viver melhor, como nunca mais
viverá melhor. Na Assembleia da República, e não só, verbera-se o
pendor de poupança que se vai notando, aqui e além, neste Governo que,
de facto, não está a cumprir tudo o que disse ir fazer. E não cumpriu
nem poderia ter cumprido, face ao descalabro económico que o “salto
para trás” dos tempos de Guterres, o António de boa memória, foi
ensaiando.
A
economia portuguesa tarda, de facto, na recuperação que se impõe. Há
desemprego a mais. Há fábricas a fechar. Há gente a fugir ao fisco.
Recuperar a economia, neste ambiente, é, de facto, difícil. E nem
sequer há a certeza de que seja objectivo a atingir nos tempos mais próximos.
Entendamo-nos.
Atirar com todas as culpas para os ombros do anterior Governo não é
mais do que “sacudir água de um capote” já de si esburacado. Mas
levar por diante uma tarefa quase hercúlea que importava realizar, é
bem capaz de queimar os neurónios de qualquer mortal.
Dois
anos se passaram sobre a data em que o PSD assumiu o controle do
Governo. Dois anos pejados de dificuldades e de problemas que nasciam
como cogumelos. Dois anos em que o povo - que só vê e aprova ou
desaprova o que lhe bate à porta - sofreu mais do que seria de esperar.
E mesmo que se entenda o sacrifício que está a ser pedido ao povo,
ninguém vai perdoar que haja “traições” e “desvios” a uma
melhoria geral do viver do País. Ninguém perdoa e não há melhor
maneira de deitar tudo a perder... se o povo entender que era possível
fazer muito melhor. Como as sondagens começam a dizer…
Fernando
Cruz Gomes
Março
04
Pois...
Ao
ler a carta aberta que José Machado enviou ao Dr. José Cesário (que
aqui publicamos), tive, evidentemente, de estar de acordo com o problema
de fundo que ela trata.
Na realidade custa, numa altura (mais uma) em que as dificuldades para
obter subsídios são tão grandes, e que tantas associações com
iniciativas bem concebidas, equilibradas, pertinentes e pragmáticas estão
encalhadas nas docas do desespero, ver-se atribuir lautas somas, a
outras que não souberam gerir, custa a engolir...
Tanto mais que, se bem percebemos, as somas não são para “tapar
buracos”, o que talvez fosse admissível - há sempre que dar uma
segunda oportunidade às pessoas de boa vontade - se se pretende manter
uma estrutura útil, por quanto se verifique que há capacidade para que
ela continue utilmente.
Mas aqui trata-se de somas para novos projectos. A questão é esta :
Como é que eles vão ser equacionados e resolvidos? Com que meios
humanos? etc... E lá volto eu à questão de capacidade e de utilidade.
Por isso compreendo bem a reacção de José Machado. Só compreendo
menos bem é porque é que ele mistura tudo! Mas sobre isto já temos
conversado várias vezes. Quanto a mim deve ser a vontade deste
respeitado Membro da nossa Comunidade, de querer muito dizer duma só
vez.
É pena, pois o testo perde em clareza e a acção em eficácia. Eu
explico (sem pretender ter razão, claro está) :
Primeiro não compreendo porque é que José Machado fala hoje da
Recomendação ao Governo, que co-assinou há anos, sobre a forma como
deveriam ser atribuídos, analisados e controlados os subsídios ao
movimento associativo. Nessa altura, em ele que era presidente do
Conselho Permanente do CCP (e da FAPF) as coisas estavam bastante
claras, quem mais e melhores projectos apresentasse, mais subsídios
tinha. Era simples e eu lembro-me muito bem!
Depois, para quê desvalorizar o trabalho dos outros para por o seu próprio
trabalho em valor? Quando este já é reconhecido por si próprio?
Quando o Presidente da FAPF fala no Concurso Literário, que em 2003
teve a participação de mais de 800 alunos portugueses, comparando-o
aos Festivais de Teatro da CCPF “que têm engolido, ao longo dos últimos
anos, milhares e milhares de contos”, segundo ele, chama respostas do
estilo : “que é que divulga melhor a nossa língua? Mais uns
“deveres” feitos pelos alunos, com a ajuda dos seus professores? ou
50 peças de teatro em toda a França às quais assistem mais de 5000
pessoas e nas quais participam dezenas de associações de há 11 anos a
esta data?”.
É claro que nem vale a pena falar em termos de organização dos dois
eventos, nem do que eles custam. O que eu quero dizer é que não vale a
pena dividir os esforços que as associações fazem ou têm feito, isto
enfraquece a Vida Associativa, que já tão pobre vai andando.
Também no que diz respeito à participação activa dos portugueses na
vida local e na sociedade portuguesa, “questão que o senhor SECP tem
sempre na boca, mas que tem sido a minha Federação, em França, a
dar-lhe o principal impulso...quase sem apoios”!
Pois é, mas não basta afirmar qualquer coisa para que isso se torne
verdade. Sem menosprezar o trabalho da FAPF, é evidente constatar que há
em França Coordenações que têm, tradicionalmente, uma vivência
bastante superior à da FAPF e que neste domínio trabalham sem apoios
financeiros (não há apoios para a cidadania...).
Se a dinamização do movimento associativo e a organização dum grande
Encontro Associativo Anual é um marco de valor do trabalho da FPAF,
também a CCPF tem realizado vários encontros associativos anuais, em
toda a França ; Encontros anuais de jovens associativos de todo o
Mundo, em Portugal, que até já deram nascimento a uma Federação
Internacional de Jovens, encontros esses que até foram copiados pela
SEC há já alguns anos.
A FAPF ajudou a fundar o Museu da Emigração, situado na cidade de
Fafe, para a defesa da memória da nossa emigração, mas a CCPF fez
dezenas de estudos sociológicos publicados em revistas como “Hommes
et Migrations”, entre outras, e muitos catálogos, discos e CD sobre
os Portugueses de França (folclore, associações, música tradicional,
imprensa, 25 de Abril, teatro, etc...).
O que isto quer dizer é que sempre houve e há trabalho para todos, mas
com a política que temos para as Comunidades, hoje não há mais nada
para ninguém.
É por isso, que temos de trabalhar em sintonia! Pois...
Aurélio
Pinto
Fevereiro
04
Vamos
ao trabalho que se faz tarde!...
Várias
vezes tenho criticado a forma “politiqueira” de fazer política em
Portugal. Não que, neste aspecto, seja o pior país do mundo, mas
porque nos interessa muito vê-lo desenvolver-se, do ponto de vista
social, económico e político e porque sentimos, “no coração”,
tudo o que de mal lhe acontece.
Sabendo nós que, no nosso país, a política tem um peso enorme sobre
todos os outros aspectos, é particularmente importante voltarmos ao
assunto.
Compreende-se que, num país que viva na abastança, o comportamento dos
políticos seja, muita vezes, uma simples rotina, salpicada, aqui e além,
por alguns “faits-divers” e escaramuças parlamentares.
Sou capaz até de entender que, os homens e mulheres que se dedicam
inteiramente à política, são seres humanos normais, com virtudes e
defeitos, com boas e más escolas de serviço público, circunstâncias
que se revelam nas suas atitudes pessoais e políticas.
O que eu não entendo é que, num país, unanimamente considerado com
graves problemas estruturais, para já não falar nos conjunturais, (que
se acentuam há medida que os outros países se afastam), a linguagem e
os actos públicos dos políticos, continuem a acentuar e a privilegiar,
exclusivamente, as contradições que os afastam, os novos e velhos ódios
partidários, a crendice na sua perfeição, atirando, consequentemente,
os cidadãos portugueses para o confronto, a crítica vazia de conteúdo
e, pior que tudo isso, para a sua saturação, face à política e aos
políticos que os governam, ou que estão na oposição.
E neste caso, não se iludam todos os profissionais da política, se
considerarem que este seu comportamento surdo e belicoso, lhes traz
vantagens eleitorais. O resultado deste seu comportamento vai é
aumentar o abstencionismo, o descrédito das populações, nas instituições
políticas e, cada vez mais, o “salve-se quem poder”.
A propósito da crise económica que afecta gravemente Portugal e os
portugueses, os nossos políticos têm um comportamento exemplificativo
do que antes afirmei.
Esquecendo-se de que, quase todos, já passaram pelo governo, insistem
em atribuir culpas das más heranças recebidas, uns dos outros, para a
actual situação em que o país se encontra. Se continuarem a recuar
sucessivamente nas suas argumentações culpabilizadoras dos outros, só
falta voltarem ao velho slogan de que “a culpa foi do fascismo”,
para esconderem as suas deficiências e a falta de senso ou coragem, de
afirmarem uma verdadeira política nacional, de convergência, em torno
de objectivos suprapartidários e consensuais.
Mas, o mais curioso e perigoso, no meio de tudo isto e a propósito da
análise que fazem da actual situação económica, é que todos
(partidos do governo e da oposição), estão de acordo com as palavras
e recomendações do Governador do Banco de Portugal e não são capazes
de se entenderem entre si. Como se a única plataforma de entendimento
possível, tivesse de ser encontrada fora das instituições políticas.
E nisto, o perigo é ainda maior, não porque o actual Governador do
Banco de Portugal não seja um democrata com provas dadas mas,
adicionado ao elevado abstencionismo e à campanha de descrédito das
instituições, levada a cabo por gente sem escrúpulos, a propósito do
caso Casa Pia, um destes dias aparece mais um “salvador da pátria”,
com cara de democrata (como todos surgem) e com as habituais soluções
mágicas dos tempos de crise. E essas, já nós as conhecemos e as
rejeitámos.
Portanto, políticos de Portugal, é tempo de mudar de atitude e, quem
sabe, talvez de rosto, em nome de um povo que, por muitos defeitos que
tenha, sabe e quer trabalhar.
Tal como diziam os antigos habitantes de Molelos, no seu dialecto muito
particular e utilizado para escapar à compreensão dos esbirros :
“polemo-nos ao moreio que se fagunda tardízio”, o que em bom
português significa dizer: “vamos ao trabalho, que se faz tarde”!
Luís
Barreira
Fevereiro
04
Ano
Novo... Ano Bom (mas pouco...)
Já
se foi. Vaiado por quase todos. Apupado em variados tons e em todas as Línguas.
Poucos serão aqueles que gostaram dele, pelo menos nos seus últimos
tempos. E se gostaram um pouquinho... não o disseram quando ele,
alquebrado, se postava no estertor da agonia. No fundo, talvez até nem
ele merecesse tantas vaias. Talvez que ele não fizesse mais porque nós...
não lhe demos a colaboração que ele quereria... talvez!
Agora... já se foi. Deixou-nos mazelas em demasia. Aleijões sociais
que nos vão acompanhar muito mais tempo. Centelhas de um inferno que
muitos andam a atear com fins inconfessáveis. Em Portugal, então, foi
um ver se te avias... Houve de tudo para todos os (maus) gostos. Com
algumas das turbulências e aleijões ficou o pobre país em coma social
de que não se cura tão depressa, se houver cura para desmandos que nos
atolaram de vexame internacional.
Ai não... não foi tanto assim? Então que dizer daquela vergonha que
se abateu por sobre a Casa Pia? O faz que anda sem andar... da história
do aborto, de que ninguém diz o que (realmente) pensa? E a Economia...
a economia que não ata nem desata e pretende pautar os nossos
interesses pelos de outros maiores e maiores parecendo? - Não foi tanto
assim...?
De resto... vamos batendo recordes sobre recordes... em tudo o que seja
mais... em menos. Há explicações para tudo, nós sabemos. Se até há
explicações para nos dizerem que as nossas águas territoriais vão
agora ser visitadas por tudo quanto é União Europeia e dizem aos
nossos pescadores que também podem ir aos outros mares... sem lhe
explicarem como é que conseguem fazer isso com as cascas de noz que vão
tendo.
E aquela vergonha de nos matarmos nas estradas portuguesas?! Como é que
explicamos isso? Dos Açores a Trás-os-Montes, passando, especialmente,
nós sabemos, pelas estradas que demandam as fronteiras de Espanha,
vamo-nos matando alegremente, por norma, regados com bons vinhos em
caros manjares. Claro que não se ressuscita ninguém, mas às vezes,
consegue-se o “milagre” - tão banal que não é tão miraculoso
assim - de não sermos multados pela nossa diligente polícia de trânsito.
A troco de uns cobres, como é evidente.
Pois... mas agora já se foi. Já anda lá pelas alturas em demanda do
seu assento etéreo. Ainda quis dar um conselho final ao substituto...
mas este não o aceitou. Nem para ele olhou, embebedado como estava com
o estoiro dos foguetes, o pipocar das garrafas de champanhe e a vozearia
da turbamulta.
Claro que vamos ter o Euro do Futebol. E aí sempre somos capazes de dar
umas alegriazitas cá ao pessoal. Isto se até lá não houver
tempestades em algumas consciências que os portugueses sempre inventam
em situações delicadas. Como aquelas do México... ou as que
aconteceram na Coreia. E se não houvesse mais razões, essa seria uma
para gostarmos do Sr. Scolari. É que, pelo menos, não é Português e
não alinha pelo nosso “não te rales” que tão maus resultados tem
dado...
E mesmo que ele não leve o Sr. Baía... ou outro Baía qualquer... ele
responderá que também não levou o Sr. Romário... e ganhou o Mundial
da Coreia! E aí nem sabemos se não haverá um qualquer
“portuguesinho” que se empertigue e diga que também é capaz de
ganhar o Europeu com uma equipa como aquela que já vamos tendo... Falar
por falar... é fácil.
Mas como ele já se foi... pode ser que o “2004”, o senhor que se
lhe segue... possa alterar tudo. Pode ser! A despeito de continuarem as
mesmas pessoas, com as mesmas rugas e os mesmos aleijões, os mesmos
queixumes e as mesmas raivinhas
Fernando
Cruz Gomes
Fevereiro
04
Tout
à fait inacceptable!
Dans
la “société de consommation” qui est la nôtre, où innombrables
sont ceux qui s’adonnent, de façon quasi hystérique, au culte du
dieu Mammon - c’est-à-dire de la richesse - la règle d’or, fréquemment,
hélas!, n’est pas la recherche de la qualité mais celle de la
quantité, en fait : d’amonceler le maximum de bénéfices le plus
vite possible. Alors que nous avons souvent à notre disposition des
moyens beaucoup plus efficaces que ceux de nos ancêtres, nombreux sont
ceux qui ne cherchent pas du tout à faire mieux ni même aussi bien que
ces derniers, mais seulement plus vite.
Les méthodes, pour y parvenir, sont parfois abracadabrantesques. Récemment,
il nous a été énoncé le fait qu’un chercheur israélien venait de
mettre au point une poule… sans plumes. Cela non pas pour tenter
d’améliorer la saveur de sa chair, mais seulement… facilité le
travail dans les abattoirs !
Des poulets sont élevés dans des hangars où ils ne voient jamais le
soleil et dans lesquels, ils sont si nombreux que ce sont de véritables
camps de concentration. Des dispositions sont prises pour qu’ils
dorment le moins possible, cela pour qu’ils mangent le plus possible
et croissent donc le plus vite possible… Ces pauvres bêtes sont à ce
point stressées qu’elles se battent entre elles, ce pourquoi les éleveurs
n’hésitent pas… à leur faire douloureusement couper une partie du
bec!
Des éleveurs de bétail considèrent… que les cornes des bovins sont
gênantes! Il leur arrive dés lors, de prendre des dispositions pour
qu’elles ne puissent pas pousser, c’est-à-dire, d’injecter de
l’acide sur la tête des veaux.
Dans tous les cas, redisons-le, ces Messieurs ne cherchent pas du tout
à être en mesure de nous proposer des viandes plus savoureuses, mais
à faciliter leur tâche, un point c’est tout, quitte à utiliser,
pour cela, des produits chimiques interdits parce que nocifs pour la
santé!
À ceux qui utilisent, sans vergogne, ces méthodes fort regrettables,
je voudrai demander de réfléchir en regardant avec attention la photo
ci-jointe. Aimeraient-ils avoir une vie comparable à celle qu’ils
imposent à leurs volailles?
Ne pas donner de temps au temps et ne pas hésiter à se croire supérieurs
à la Nature et être capable d’en améliorer les règles, est
dramatique car, comme l’a écrit, six siècles avant notre ère, dans
sa Neuvième Olympique, le poète lyrique grec Pindare : “C’est à
la Nature que nous devons tout ce qui est excellent”.
Cette situation est tout à fait inacceptable car l’on cherche, de
toute évidence, à nous tromper.
“Trompeurs, c’est pour vous que j’écris! Attendez-vous à la
pareille” lit-on dans la fable “Le renard et la cigogne” de Jean
de La Fontaine (1621-1695).
La clé de voûte du temple de l’alimentation doit être la saveur.
Dans Mélanges, Paul Valéry (1871-1946) a mis en lumière que : “Le
corps veut que nous mangions et nous a bâti ce théâtre succulent de
la bouche tout éclairé de papilles et de houppettes pour la saveur. Il
suspend au-dessus d’elles, comme un lustre de ce temple du goût, les
profondeurs humides et avides des narines”.
Face à cette situation et dés lors qu’il est du devoir de chacun de
ne pas nous laisser berner par ces trompeurs, nous devons ni nous résigner
ni nous soumettre.
Dans le commerce, c’est à l’acheteur que revient la décision
finale. Nous devons catégoriquement refuser tout produit de basse
qualité.
François
Baradez
Fevereiro
04
"Vamos
ler o livro ao contrário"
Portugal
tem neste momento duas preocupações com as Comunidades e a comunidade
portuguesa de França não escapa à regra:
- A primeira é que os portugueses não votam.
- A segunda é que o envio das remessas baixou de 10,9%.
É verdade sim senhores, esta rapaziada não vota em coisa nenhuma!
E cada vez manda menos “cacau” para a terra!
E estão admirados com isto?
Eu não! e não porquê?
Deixem-me então, ser o advogado do diabo e vão ver que se calhar tudo
se explica.
Antigamente, (mesmo assim há pouco tempo) era costume dizer-se cá
“por fora” : enquanto não tiver direito de votar pelas
presidenciais, não voto em coisa nenhuma!
Balelas, ninguém estava preparado para votar, isto era uma simples
desculpa, a prova é que desde que foi possível votar nas
presidenciais, também ninguém votou.
Na realidade, como é que se pode pretender que nas comunidades as
pessoas se interessem pela utilização dos direitos cívicos, se a
maior parte nem sabe do que se trata?
Os que vieram para França nos anos 60, ou mesmo antes, vieram à
procura de melhor vida do que a que tinham em Portugal.
Tiveram que construir tudo, debatendo-se com mil problemas e conseguiram
sozinhos, atingir os seus objectivos principais, isto é : constituir um
património e educar os filhos.
Para mais não houve tempo, nem sabedoria.
Basta de lhes atirar pedras. Vamos ler o livro ao contrário!
Quem é que explicou ao emigrante para o que serve votar, em Portugal ou
na terra de acolhimento?
No nosso país, todos se preocuparam sempre (exigência do ventre), com
as remessas enviadas pelos emigrantes - há que saber que elas sempre
foram por exemplo, superiores aos subsídios da UE - mas não passou
pela cabeça de ninguém que, sendo a França o país onde há mais
portugueses (Paris e arredores, são segunda cidade de Portugal) e que
na Suiça, Alemanha, Luxembourgo, etc., também há muitos, talvez fosse
justo que houvesse na Europa, um número de Deputados em adequação com
a quantidade de compatriotas, nela residindo.
Se assim acontecesse, se em vez de dois “pobres Deputados” que
passam a vida a correr, quase sem tempo para parar em lado nenhum,
houvesse um número de Deputados suficiente, talvez eles tivessem tempo
para ajudar os “carolas” que já o fazem, a educar civicamente esta
população. Talvez nesse caso os “portugueses de fora “ servissem
para mais alguma coisa, do que para enviar as tais remessas.
E cá estamos a chegar à segunda preocupação : as remessas diminuíram
de 10,9%… que espanto!
Então os nossos “economistas” ainda não perceberam que uma vez a
obra acabada já não se gasta mais dinheiro em materiais?
Os “primeiras gerações”, investiram muito para fazer as casas,
agora, antes de emigrar, desta vez definitivamente, para o Céu dos
emigrantes, só gastam uns tostões quando vão de férias à terrinha,
e isso sai mais barato.
Mas cuidado, se não olharem pelo futuro senhores “economistas”,
ainda vão achar estranho que o problema se agrave.
Estão convencidos que, sem se preocuparem com eles, sem contarem com
eles, os filhos dos “primeiras gerações” vão conservar o património
que os pais constituíram em Portugal, e pagar os gordos impostos
preparados pelos vossos Gabinetes?
Não os quero desanimar, mas o mais certo é que essas lindas casinhas
sejam vendidas nos próximos anos, e que os Euros que resultarão das
vendas, sejam empregues na compra de outras casinhas aqui em França,
aonde felizmente haverá um galo de Barcelos na chaminé, único elo de
ligação entre o País e os filhos, que para ele não contam, por isso
não votam.
Aurélio
Pinto
Janeiro
04
Surdo?
Eu?...
Quando
há cerca de 15 dias me desloquei a Portugal e percorri alguns centros
comerciais de Lisboa, dei conta que, na terceira semana de Novembro, já
era Natal. Decorações, músicas, prendas, promoções especiais e
fitas multicores, animavam já todo o ambiente natalício. Pessoas
curiosas e em quantidades apreciáveis, percorriam os corredores das
grandes superfícies, sem se atreverem a entrar nas lojas.
Surdos aos slogans comerciais, os portugueses fazem contas à vida e não
se deixavam levar na “onda publicitária” da antecipação do Natal.
O Governo, fiel à sua disciplina do “pacto de estabilidade e
crescimento”, continuava a pedir mais sacrifícios aos portugueses
para não ser penalizado pela União Europeia, no caso de ultrapassar o
déficit exigido. A oposição, surda às razões apontadas pelo
Governo, que já ultrapassavam o receio das penalidades da Europa, com a
necessidade de corrigir estruturalmente a economia portuguesa,
continuava a alimentar a fogueira da contestação social, justificando
a necessidade nacional de mudar de política.
O Governo, surdo às razões apontadas pela oposição, acabou por votar
internacionalmente contra o “pacto de estabilidade”, pondo em causa
a sua política interna de contenção e defende agora uma alteração
ao referido pacto, fazendo orelhas moucas às críticas anteriores da
oposição. A oposição diz agora que o governo se fez surdo às suas
anteriores críticas e adopta agora as suas posições.
As estatísticas mostram que, Portugal, possui uma das mais elevadas
taxas de gente contaminada pelo vírus da Sida. O Governo finge que não
ouve os reparos feitos pelas associações, que requerem mais meios para
combater este flagelo e as pessoas continuam surdas aos cuidados a ter,
para não se deixarem contaminar.
Senão todos os dias, quase todos os dias, há acidentes mortais no IP5
e nalgumas estradas portuguesas, mal construídas e perfeitamente
identificadas. As autoridades policiais e os bombeiros estão sempre a
gritar-nos isso às orelhas, mas, os responsáveis pelo estado das
estradas, continuam surdos e os automobilistas continuam a acelerar,
para não ouvirem a morte anunciada.
Antes do verão passado, os bombeiros contestavam os meios e a competência
de quem tinha sido designado para defender o país dos incêndios, mas o
governo colocou umas rolhas nas orelhas e “deixa arder que o meu pai
é bombeiro”. Após o trágico desfecho, mudaram o coordenador e, no
meio de tanta cinza, ninguém mais ouviu falar nas medidas tomadas para
reparar os estragos e prevenir outra catástrofe.
No futebol, os dirigentes são surdos às razões dos árbitros, os árbitros
surdos às críticas dos agentes desportivos, o seleccionador nacional
surdo aos reparos que lhe são feitos e o público que vai aos estádios,
faz um barulho ensurdecedor.
E, nesse “diálogo de surdos”, onde não escapam os parlamentares e
outros à espera de assento, muitos outros exemplos de surdez deliberada
poderiam ser aqui invocados, para demonstrar a evolução desta doença
crónica da sociedade portuguesa.
É evidente que o país passa por um mau bocado! Também me parece que
ninguém contesta que há causas, internas e externas, que têm contribuído
para esta situação, justificando alguns erros apontados, a uns e a
outros, e denunciando a extrema fragilidade e dependência da economia
portuguesa, face às convulsões da economia mundial e às pressões dos
compromissos internacionais.
Mas, para além disso, esta falta de comunicação, entre uns e outros,
esta surdez deliberada, entre responsáveis, e entre eles e os simples
cidadãos, é um verdadeiro obstáculo, para a resolução de problemas,
que estão ao alcance do País e cria um profundo mau estar entre todos,
sempre que é preciso unir fileiras para nos defendermos dos problemas
externos.
Não seria bom mandar o país ao Otorrino? Ou será que chega um valente
puxão de orelhas?
Luís
Barreira
Janeiro
04
Sem
"excelências" desmedidas
Portugal
tem, desde há dias, um novo Embaixador no Canadá. João Pedro Silveira
Carvalho acaba de assumir funções, numa altura em que a comunidade está
a viver a recta final das celebrações do cinquentenário da chegada
dos primeiros emigrantes oficiais portugueses ao Canadá.
Nas suas palavras de então, quando da entrega de credenciais, e frente
a alguns representantes das forças vivas comunitárias, a certeza de
que algo parece ter mudado no relacionamento de Portugal com os
diferentes países do mundo. Ao definir as linhas gerais do que julga
dever ser o envolvimento do Embaixador e cônsules-gerais nas estratégias
que hão-de fazer as comunidades ainda maiores, falou na certeza de que
é preciso atingir objectivos, “mas os objectivos terão de ser
aqueles que a Comunidade identificar como seus e se propuser
materializar”.
Se entendermos bem as palavras, hemos de convir que se tratou de uma
declaração de intenções que pode significar muito para a prossecução
de objectivos e ideais comuns. Nada de imposições. Nada de “forças”.
Apenas o acompanhamento activo do que as comunidades quiserem. É capaz
de se tratar mesmo de uma “iniciativa” pioneira no acto dos
“pioneiros”. É que, para além do mais - devagar que... temos
pressa e já não é cedo - falou-se de um lobby político, que pode
ajudar a consolidar posições que até já teriam sido “passeadas”
mas de uma forma desgarrada, com gente interesseira, eventualmente
disposta a coçar demasiadamente o respectivo umbigo.
Agora, não. O colectivo é capaz de estar “espicaçado” para se
sobrepor ao pessoal. No fundo, acentuou-se que, enquanto não houver uma
participação e presença políticas, com deputados federais eleitos de
origem portuguesa, o Governo Canadiano não levará a sério a grande
(em termos quantitativos) Comunidade Portuguesa e não será levado a
considerar devidamente os seus legítimos anseios. O tal lobby político...
é capaz de ter muito que se lhe diga. Vários participantes na reunião
com o embaixador consideraram que para além das organizações de cúpula,
ACAPO e Congresso Luso-Canadiano e, eventualmente, a Federação de
Empresários, outras individualidades luso-canadianas de todo o espectro
social deverão ser identificadas e envolvidas no projecto. Também em
Ottawa/Gatineau e em Montreal.
Entendeu-se, desde logo, que deverá ser encontrada uma plataforma
abrangente para fazer ligação entre as várias organizações que
poderão ser envolvidas e será necessário que não fiquem excluídos
aqueles que não estejam enquadrados nas organizações existentes. Tudo
abrangente portanto.
E isto é tanto mais importante quanto é certo que, após as mais
recentes eleições, a nível provincial e camarário, houve
“baixas” importantes nessa cadeia de relacionamento de que se fala.
Ao Embaixador, pede-se que seja assim como que um “facilitador”
deste processo de adesão à causa comum, com estudos adequados e
actividades pensadas.
De qualquer modo, ainda é cedo para entendermos toda a complexidade da
“luta” primeira deste Embaixador que parece adequado ao momento. Já
esteve noutras “lutas” como a da Guiné-Bissau - onde teve consigo,
também, o actual cônsul de Toronto, Artur Magalhães - e delas se saiu
a contento.
Ainda acreditamos que o “elo mais fraco” de todo este “jogo
bom”, não será o diplomata agora em foco. Pretendemos que não haja
até “elos mais fracos”. Mas eles já se aprestam a tomar posições.
Como no xadrez. Só que, por enquanto, são ainda e apenas os mesmos. O
que pode deitar tudo a perder...
Fernando
Cruz Gomes
Dezembro
03
A
emancipação da mulher: uma luta sem sexo!
Vivemos
num século, num ano e numa sociedade, em que falar dos direitos iguais,
entre homens e mulheres, nos parece já absurdo.
Mesmo que saibamos que, nem sempre isto é aceite, como verdade
universal e muitas vezes, por motivos de uma cultura tradicional
inculcada nas nossas cabeças, as mulheres sofram discriminações, em
relação aos homens : no trabalho, na política ou em casa, toda uma
sociedade evoluída como a nossa, já não põe em causa, publicamente,
a igualdade entre homens e mulheres.
Se havia dúvidas, quanto à aceitação dos argumentos das sufragistas,
no século passado, o trabalho e o valor das mulheres, nas actividades
produtivas, desde as duas grandes guerras até aos nossos dias, no plano
cultural mundial, na condução da política ou na afirmação social,
desde o lar até à sociedade mais vasta, retirou qualquer reticência
ao conservadorismo sexista e afirmou a mulher, em todos os planos da
vida, enquanto ser que deve usufruir dos mesmos direitos e obrigações
que os homens.
Naturalmente, (e para só falar nas sociedades ditas “evoluídas”,
mesmo que existam sociedades matriarcais, consideradas “primitivas”)
esta afirmação da mulher tem tomado várias facetas, algumas das quais
nem sempre no bom sentido que, na minha opinião, só pode ser o de
partilhar, com o homem e em igualdade de circunstâncias, todas as
esferas de responsabilidade.
Houve e continua a haver movimentos de emancipação feminina que fazem,
do homem abstracto, o seu inimigo, lutando contra ele, para tomarem o
seu lugar determinante. Como que, o que desejassem, fosse uma pura
substituição de poderes do estilo “...ora agora mandas tu,.. ora
agora mando eu...”.
Isto não se trata de lutar pela igualdade, mas sim por uma discriminação,
desta vez, de sinal contrário! Outros movimentos de mulheres lutam pela
instauração de um regime de quotas : na administração pública, na
política, nos empregos, etc., etc. Pretendem que se determinem o número
de mulheres que, obrigatoriamente, ocupem as funções disponíveis.
Embora compreenda o alcance, a longo prazo, desta medida, não posso
estar de acordo (não como homem, mas como ser humano...) com uma
regulamentação que dê acesso obrigatório a um emprego, um cargo ou a
uma posição qualquer, baseado no sexo e não na competência da
pessoas, sejam elas homens ou mulheres.
Outros movimentos, mais radicais, vão ao ponto de disputar com os
homens, todas as suas actividades e sobretudo (o que é mais
preocupante...), todos os disparates que os homens fazem. Como se, a
afirmação das mulheres, tivesse que passar por viver e conviver com os
mesmos erros dos homens, caindo no ridículo absurdo de cometer as
mesmas faltas.
A mulher não tem de copiar o homem e as diferenças existentes, entre
os dois sexos, devem ser valorizadas, porque conferem uma identidade própria
e genuína, a cada uma das partes e a diferença não é sinal de
subordinação, mas sim de complementaridade.
Por todas estas razões e por outras, que não cabem num simples e
despretensioso artigo de opinião, a melhor forma de combater a
discriminação sexual é juntar os homens e as mulheres, que acreditam
na igualdade, contra a arrogância machista, que reconhecem que só
juntos podem alterar as coisas, de forma definitiva e efectiva.
Excluindo os homens desta luta permanente, mais não fazem do que colocá-los
nas fileiras do exército inimigo do progresso e esses erros pagam-se
caro.
Luís
Barreira
Novembro
03
Crise
no Luxemburgo: uma factura a pagar por todos...
Um
recente estudo da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento
Económico) sobre o Luxemburgo, veio reafirmar a existência de alguns
factores que, segundo a Organização, estão a bloquear o
desenvolvimento económico do País e propor algumas medidas que,
segundo a mesma, devem ser postas em prática, para evitar uma
derrapagem agravada de uma das economias mais prósperas do planeta.
Já há muito que se vinham sentindo no Luxemburgo, os efeitos desta
prolongada crise internacional. Neste mesmo espaço, tive ocasião de
relembrar que este país não é, nem pode ser nunca, uma ilha paradisíaca
no meio de tantos vizinhos aflitos e de uma economia mundial tão
entrelaçada.
Tendo esta crise internacional afectado profundamente os mercados
financeiros e sendo este sector, só por si, responsável por mais de
30% do Produto Interno Bruto do Luxemburgo, fácil é perceber a queda
registada nas receitas do Estado, entre o ano 2000 e o ano 2003.
E se o Estado tem menos dinheiro, entre outras coisas, dificilmente
poderá continuar a alimentar o sector das obras públicas, onde
trabalham muitas empresas de construção e, consequentemente, muitos
portugueses e trabalhadores fronteiriços. Trabalhadores fronteiriços
esses, residentes na Bélgica, Alemanha ou França, que são os
primeiros a experimentar o calvário do desemprego e que iludem as estatísticas
nacionais sobre esta matéria, uma vez que não são contabilizados para
este efeito.
Entre outros factores, salientados pelo estudo da OCDE, surge a enorme
diferença, que deve ser atenuada, entre os “ricos” salários,
praticados na função pública luxemburguesa, em contraste com as muito
mais baixas remunerações, praticadas no sector privado.
Também já há muito tempo que tínhamos verificado e comentado o
fosso, cada vez maior, entre ao salários de quem trabalha para a
Administração Pública luxemburguesa e quem trabalha nas empresas
privadas e, todos sabemos, quem é esmagadora maioria daqueles que
beneficiam da possibilidade de trabalhar para o Estado. Basta ver os
seus anúncios de emprego e as condições impostas a quem pode
concorrer a tais empregos. Digamos que é a “factura a pagar” pelos
estrangeiros, que aqui vivem e trabalham, para que a paz social continue
a vigorar no Luxemburgo!...
Mas, para além das medidas puramente economistas, que a OCDE aconselha,
algumas das quais não merecem a aprovação de quem trabalha, por conta
de outrem, nem do próprio governo luxemburguês, houve uma que,
especialmente, reteve a minha atenção: trata-se de uma sugestão aos
governantes luxemburgueses, para que adoptem medidas mais eficazes de
integração dos estrangeiros e, nomeadamente, para que o ensino dos
jovens se possa fazer em língua alemã, ou em língua francesa,
propiciando uma formação menos discriminatória, entre todos os que
residem no país. Sobre isto já falámos suficientemente e os recados
à Ministra e a todos os responsáveis pela educação no país, já
foram dados.
Há no entanto, e a propósito de uma melhor integração dos
estrangeiros no Luxemburgo, uma medida que foi sugerida pelo próprio
governo em 2001 e, em 2003, continuamos sem saber que passos foram dados
nesse sentido. Está, para quando, a tão propalada dupla nacionalidade?
Quando é que o Governo, ou os partidos da maioria parlamentar, se
decidem a agir neste sentido?
É evidente que, em vésperas de eleições legislativas, o “timing”
político, nem sempre coincide com o “timing” social mas, se a uma
necessidade social, se junta uma crise económica, latente e já
patente, é bom que os estrangeiros residentes neste país sintam o
Luxemburgo como seu e correspondam ao esforço necessário ao seu
desenvolvimento económico.
A não ser assim todos sofremos, estrangeiros e luxemburgueses.
É bom não esquecer!...
Luís
Barreira
Novembro
03
Mário
Tomás: a generosidade em pessoa
A informação já se esqueceu...
Muitos
já se esqueceram. Outros nem sequer entendem quanto a seguir se diz. São
mesmo capazes de pensar que alguém estará a querer pagar favores. Que
é possível, até, que haja exagero grosseiro nas informações que
importa deixar aqui preto no branco. E nós que vamos continuar, ano após
ano, a lembrar a efeméride, pelo menos até que “a voz nos doa”...
achamos que o esquecimento ronda, às vezes, as raias da ingratidão...
e que povo que não é grato e que, por norma, se esquece... é povo que
não tem um grande futuro. Mesmo exagerada, a asserção significa,
afinal, que passado, presente e futuro, ainda que com graus diferentes
de manuseamento da mente... devem andar de mãos dadas. Sobretudo agora
nos 50 anos de uma comunidade como a nossa.
Mas... vamos lembrar, uma vez mais, que a 17 de Outubro de 1985, os órgãos
de comunicação social de língua portuguesa nas cidades de Toronto e
Montreal - então com mais de 250 000 portugueses - começavam a estar
ligados a Portugal pelo serviço da Agência LUSA, que chegava através
de um contrato estabelecido com a Portuguese Book Store, de Toronto.
A agência passou a suprir, então, muitas carências de Informação
graças a um contrato estabelecido com aquela empresa, cujo proprietário,
Mário Tomás, era apaixonado pela Informação, sendo, assim, um autêntico
fautor de progresso informativo das comunidades.
Só quem fazia, por essa altura, Jornais, Rádio ou Televisão em
Português é capaz de imaginar as dificuldades então superadas pelo
contrato feito com aquele homem bom, que já deixou o número dos vivos.
É que, por essa altura, só os jornais, vindos de Portugal duas vezes
por semana, funcionavam como fonte informativa dos órgãos de Informação.
A Rádio... chegava mal e com muitas dificuldades de audição. E quanto
a Televisão... nem pensar nisso.
O “Portuguese Book Store” continua. Mário Tomás ficou pelo
caminho, lembrado, apenas, pelos seus. A comunidade que tanto beneficiou
daquele seu gesto - especialmente a comunidade da Informação - foi
esquecendo o homem bom, mesmo controverso em muitos casos, que de um dia
para o outro, pagando do seu bolso, mensalmente, alguns mi-lhares de dólares,
deu mais Informação às comunidades. Mais do que isso : fez, à sua
custa, o que os Governos de então tinham obrigação de fazer... e não
faziam.
Por isso, ao lembrar o 17 de Outubro de 1985... lembramos Mário Tomás.
Com pena de não termos força - e Mário Silva, vereador da Câmara
Municipal de Toronto, nunca disso se ter lembrado... - de dar o nome de
Mário Tomás a uma das nossas ruas. Por muito menos, alguns outros já
tiveram honrarias bem maiores!
Dizer isto é, afinal, tão somente, lembrar um homem bom (mesmo
controverso) que entendia a “força” da Informação a quem era
preciso dar os meios indispensáveis. E sobretudo agora que se comemoram
os 50 anos da chegada dos primeiros portugueses ao Canadá... é bom
lembrar isto. Mesmo com a certeza antecipada de que... ninguém vai
fazer nada!
Fernando
Cruz Gomes
Outubro
03
À
margem do encontro de professores... nos Açores
Quase...
genocídio linguístico
Nos
Açores, assiste-se agora a um encontro de Professores de Português dos
Estados Unidos e Canadá. Se nos derem licença, havemos de os
considerar quase "heróis". A eles e aos pais que,
mensalmente, pagam para que os seus filhos aprendam Português. E tanto
assim é que partimos, às vezes, da ideia de que o Governo Português -
este e os que o antecederam - deveriam, de facto, ser acusados de
"genocídio linguístico", para não falarmos, até, em
"genocídio cultural". "Genocídio", aqui e além,
com laivos de discriminação atroz e com consequências gravíssimas
para os povos que se deveriam entender pela Língua.
Se atentarmos nos montes de milhares de contos que o Governo Português
- este ou os outros - atira para os países da Europa onde há
comunidades portuguesas e traçarmos um paralelo com os montantes que se
atribuem aos países fora da Europa - Canadá, Venezuela, África
do Sul, Estados Unidos, entre outros - veremos logo as tais discriminações
de que tanto se fala e ninguém é capaz de calar. É que, de facto, os
Governos de Lisboa parecem apostados em preservar, para a Língua e para
a Cultura Portuguesas, as comunidades portuguesas que vivem na Europa,
esquecendo as comunidades que vivem no resto do mundo.
E mesmo quando se atira com a "resolução" do problema do
Ensino de Português para os "ombros" dos chamados países de
acolhimento... é por mera atitude de pôr algodão nos ouvidos... para
não ouvir. É que os governantes portugueses sabem - e se não sabem
deveriam saber - que os Governos do Canadá (onde o ensino é de âmbito
Provincial) e dos Estados Unidos da América têm outras prioridades. E
que, por muito que se lhes diga que um aluno esclarecido... é um cidadão
útil e de peso, ninguém lhes poderá dizer que devem injectar mais
dinheiro no sistema educacional para ensinar uma Língua diferente do
Inglês e do Francês. No Canadá, há até a particularidade de haver
mais umas quantas dezenas de outras Línguas que também teriam de ser
ensinadas.
O Ensino! A aprendizagem! A Língua da Lusofonia... que, pelo menos nos
3 ou 4 milhões de Portugueses que vivem nos países fora da Europa se
vai perdendo... era bem capaz de ser o Português!
Só que, ao longo dos tempos, e com a falta de dinheiro e,
especialmente, de vontade de estudar os problemas que se põem ao ensino
de Português, o Governo de Lisboa vai matando essa mesma Língua. Os
luso-descendentes que ainda a falam - ainda que estropiada e com
"nuances" muito "sui generis" - são aqueles a quem
os pais quase obrigaram a aprender. São aqueles com os quais os pais
gastaram rios de dinheiro. Sim, porque o Pai-Governo - neste caso,
Padrasto-Governo - não dá um tostão, nem que seja para um livro. Não
manda um professor nem que seja para fazer um curso de reciclagem aos
que por cá estão. Pratica "genocídio" de Língua. Faz
guerra de "terra queimada" para que, daqui a 50 anos, os tais
luso-descendentes falem o Inglês e o Francês, o Espanhol e talvez o
Afrikander.
Portugal, pelos vistos, descansou no entusiasmo dos pais. A Portugal,
pelos vistos, interessa, apenas, um X de milhões de contos de remessas.
O resto... é, de facto, com os pais. Ah, e agora, com os Governos dos
países de acolhimento... A Portugal basta-lhe as remessas dos (ainda)
chamados emigrantes (com i...), até porque sabe que eles vão continuar
- pelo menos por agora - a levantar a Bandeira de Portugal e a fungar
saudades pelo país de origem. E continuarão, também, pois claro, a
cantar vivas ao Benfica e ao Sporting e aos sucessivos Presidentes que
se deslocam quando é necessário "levantar a alma da Pátria".
No Canadá e nos Estados Unidos - e decerto noutros países do resto...
do mundo - lembraram-se, não há muito, de enviar uma
Coordenadora-Geral do Ensino. Como se fosse possível coordenar um
Ensino que Portugal não paga. Como se fosse possível interferir no
eventual ensino das Línguas de Origem que os Governos locais (ainda) vão
dando! Como se fosse possível um Coordenador-Geral do Ensino
substituir-se a umas boas dezenas de professores, a umas quantas
toneladas de livros. Quando, a propósito, entrevistámos a então
secretária de Estado Ana Benavente... a senhora foi-nos dizendo que
"coordenar" não significa "só" coordenar. E que às
vezes um bom levantamento das situações... pode ajudar a resolver
problemas.
Pois. No Canadá, a senhora já está há um ror de anos, mudou-se o
Governo... e, pelos vistos, ainda não teve tempo de fazer o tal
levantamento. Mudar a senhora? Acabar-lhe com a tal mordomia (ou quase)?
Nem pensar nisso.
Ao invés, terminam uma comissão a uma leitora de Português do
Instituto Camões colocada na Universidade de Toronto que, mesmo
cumprindo em grande as suas missões naquele estabelecimento de Ensino
Superior, fazia "milagres" no dia-a-dia das suas horas vagas
para que, pelo menos, a Cultura Portuguesa fosse visível, em várias
das suas componentes. E a presidente do Instituto (patrão) de Camões
sabia. Em público, em Novembro, foi avisada. Em conferência onde se
estudava... também isso.
Não dá para entender.
Não. Algo está, de facto, mal. E para nós que, de longe, vamos
anotando o que se faz na Europa e nos países de língua oficial
portuguesa (Angola, Moçambique, Timor, etc.), ficamos a procurar nos
dicionários uma palavra mais doce do que "genocídio" para
explicar o descaso que o Governo Português faz das comunidades
portuguesas espalhadas por este resto do mundo... Mas, de facto, não
encontramos!
Fernando
Cruz Gomes
Julho/
Agosto 03
Vamos
ajudar a por fim às aldrabices?
Há
muito se sabe que na nossa comunidade certas pessoas vivem à custa do
trabalho dos outros. Os casos de burlas, de vendas fictícias, de gestão
de bens que só rendem aos “gestores”, fazem infeliz e contentemente
parte da actualidade desta comunidade, silenciosa e traba-lhadora, que
é a portuguesa de França.
Trabalhadora sem dúvida, silenciosa até demais, por vezes vale a pena
exteriorizar o que se passa no
interior.
A nossa função e obrigação é também dar eco aqueles que estão
fartos de ser enganados.
No sábado dia 28 de Junho, uma equipa de reportagem da Vida Lusa,
esteve a presenciar (o que lhe foi permitido), um evento de que foram
iniciadores alguns compatriotas, que nos declaram terem sido lesados por
uma advogada portuguesa, exercendo em Paris XV.
Esse grupo de emigrantes, fez individualmente e em datas diferentes,
apelo à dita advogada para que ela os ajudasse a resolver diversos
problemas, tais como: divórcios, acidentes de viação, cobrança de
rendas de casas em Portugal etc.…
Todos afirmam ter pago bom dinheiro, mais do que uma vez, afirmando também
que “nunca nada foi feito”.
Declararam ainda que se tornou impossível obter uma audiência com a
Doutora. Já tinham reclamado várias vezes um encontro, por entenderem
que o tempo ia passando, resultados nem vê-los (ex. : um divórcio = 5
anos) e nunca eram recebidos.
Alguns, já escreveram à Ordem dos Advogados de França e obtiveram o
direito a reembolso, só que ainda estão à espera de o receber.
Perante tanta dificuldade a esposa dum cliente da dita advogada, pediu
para ser recebida, para tratar dum assunto novo. Apareceram lá com ela,
mais cinco dos pressupostos lesados. O objectivo era simples:
“diga-nos qual é o ponto de avanço dos nossos assuntos, entregue-nos
os processos, guarde o di-nheiro equivalente ao trabalho que fez (?) e
devolva-nos a diferença”.
Um telefone indiscreto, permitiu-nos ouvir uma parte da conversa, o que
inevitavelmente nos dá ainda mais vontade de esclarecer este assunto.
Depois do encontro, recolhemos as declarações dos todos participantes
queixosos e, uma grande quantidade de documentos enviados pela advogada,
sendo alegadamente alguns deles falsos.
Tudo o que os nossos compatriotas conseguiram obter, para além de
“piropos” como o que nos conta o Sr. Domingos “o senhor não tem nível
de estudos para falar comigo”, foi uma declaração, com carimbo e
assinatura, na qual é dito que, depois dum encontro em Portugal no próximo
quatro de Julho, entre a advogada e os seus correspondentes, que à
priori são os únicos culpados, os queixosos serão recebidos por ela
em Paris, em princípios de Setembro e tudo ficará resolvido.
Pelo menos uns e outros vão passar umas férias descansadas e para
(quase) todos bem merecidas.
Nós não. Vamos verificar a veracidade de tudo o que nos foi declarado
e entregue.
Vamos ainda ver, quais são as interligações entre estes assuntos e um
outro, que também está a poluir a vida de quem a ganha duramente.
Esse tem a ver com os aldrabões do imobiliário e sabe-se lá, com
alguns Doutores que gostam de ganhar os salários dos outros.
Aurélio
Pinto
Junho
03
Um
par de óculos para o Sr. Ministro...
Um
par de óculos. Precisamos de um par de óculos para oferecer a um jovem
membro do Governo de Portugal, que não consegue descortinar, entre nós
- no Canadá, nos Estados Unidos, na Venezuela ou na França - jornais e
órgãos de Informação com um mínimo de qualidade. Tanto que têm de
ser os Jornais de lá... a virem para a Emigração, com o apoio do
Governo, dar mais umas “luzes”...
Mais uma vez... alguém quer brincar aos apoios aos órgãos de Informação.
Mais do que isso, pretende-se dar “gato por lebre” em iniciativas
governamentais que deveriam ter em conta as necessidades de uma população
e... nunca o “parecer bem” na foto que se pretende impingir aos
chamados emigrantes.
Agora é o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Presidência,
Feliciano Duarte - um jovem que até parece ser dinâmico e entusiasta -
que fala numa nova legislação para a comunicação social. E diz,
preto no branco, que vai contemplar campanhas de promoção dos jornais
dedicados aos emigrantes “para cativar as novas gerações”.
E vai mais longe, dizendo que, com cerca de cinco milhões de
portugueses no exterior, ninguém pode esquecer que este é um mercado
fundamental para a promoção do país. Pelo que - patati-patatá - é
preciso uma maior aposta dos títulos nacionais nos países de emigração.
Não desconhece, até, por que o disse, que há dificuldades de penetração
dos títulos portugueses junto das segundas e terceiras gerações de
emigrantes. E, valha-nos ao menos isso, acentua : “Se não tivermos
uma estratégia vocacionada para as novas gerações, daqui a dez anos não
temos ninguém a ler português”.
Uma “descoberta” que fizemos há montes de anos. Para Feliciano
Duarte - um jovem que ainda tem muito que aprender - o Governo está
“a trabalhar num sistema que permita chegar mais perto às comunidades
portuguesas”. E a legislação vai sair assim... pelo menos coxa.
Na óptica desfasada deste Secretário de Estado não há, portanto, nos
países da Emigração, Jornais capazes de cumprir a sua missão. Não
conhece, decerto, “O Século de Joanesburgo”, o “Luso
Americano”, o “Sol Português”. Não conhece, pronto. E acha então
que é necessário apostar nos Jornais de lá. Ainda um dia havemos de
perguntar a alguns empresários que conhecemos - mesmo em Toronto - se o
Governo Português veio a Toronto, a Newark ou a Joanesburgo ajudá-los
a implantar o quase “império” de Informação que têm.
A verdade é que andamos, cada vez mais, a entender que os portugueses
emigrados merecem muito mais dos Poderes Públicos que os “forçaram”
a partir para a emigração. E, pelos vistos, querem impingir tudo o que
em Portugal se faz. Assim a jeitos de nos atirar com um osso... como a
inefável RTP (que até nem está má) mas que só interpreta o Portugal
da Saudade, dando o que quer... sem receber seja o que for. Os Jornais
de lá, a exemplo da tal RTP, quer “dar” coisas de lá. Pouco lhe
interessa o estatuto que os tais 5 milhões já têm nos países de
acolhimento. Correspondentes entre os emigrantes ? Era o que faltava.
Então não se está mesmo a ver que não há jornalistas nos países da
Emigração ?!
Um par de óculos... precisamos de um par de óculos para oferecer ao
Sr. Secretário de Estado!
Fernando
Cruz Gomes
Junho
03
A
Europa dos excluídos
Aqui
há dias, uma parte dos cidadãos que circulavam numa das artérias da
capital do Grão Ducado do Luxemburgo, foram surpreendidos por uma
cadeia humana de gente, luxemburgueses e de muitas outras
nacionalidades, nomeadamente refugiados da antiga Jugoslávia que, entre
o Ministério do Trabalho e o Ministério da Justiça, davam as mãos
num acto de solidariedade e em sinal de protesto.
Digo alguns ficaram surpreendidos porque, muitos outros já se tinham
apercebido, há muito tempo, do drama que afecta algumas centenas de famílias
de refugiados da guerra, da fome e da falta de uma perspectiva de vida
minimamente decente, daqueles que, na fuga desesperada de um calvário
anunciado, procuraram refúgio nesta sociedade de ricos e de teóricos
princípios.
Gentes de todas as idades, que há mais de quatro anos aqui vivem, sem
poder regularizar a sua situação, trabalhando para poder sobreviver
decentemente, ou educar convenientemente os seus filhos.
Gentes que comeram o “pão que o diabo amassou”, para escaparem com
vida às atrocidades de sanguinários, que pagaram o que não tinham,
para poder chegar a uma sociedade acolhedora, apenas iluminados pela
esperança de que, esta Europa dos abastados, lhes propiciasse umas
pequenas miga-lhas, que seriam muito para quem nada tinha.
E, ao longo de todo este tempo: algumas associações têm minorado o
seu sofrimento, ajudando-os a compreender a complexa sociedade em que se
encontram ; muitos patrões oferecem-lhes emprego, na perspectiva da sua
regularização ; aprenderam as línguas do país, pensando na sua
integração e, o Governo, continua dizendo NÃO !
E assim, cerca de 1.500 pessoas erram pelas esquinas, desesperados,
amedrontados pela polícia e de esperança perdida, sendo, quem sabe, o
meio social mais favorável para a actuação de todas as engrenagens
corruptas da sociedade.
O Governo explica-se : “..mais não faz do que aplicar as leis...” !
A União Europeia determina: “...é preciso controlar a imigração...
!
Os povos desta grande Europa, fustigados pelos políticos da desgraça e
pelas consequências de uma crise que não criaram, começam a
conjecturar que “..não podem acolher tanta gente...” !
Entretanto, essa miséria convive connosco, todos os dias ! Ao nosso
lado, nas ruas, nos bancos dos jardins e muitas vezes nos locais de
trabalho, a “negro”. Como não podia de ser !
Compreende-se o rigor das leis, no contexto da moralização das
sociedades. Percebe-se a hesitação dos grandes centros de decisão
internacional, face à indefinição dos caminhos tortuosos das
economias e da sua interdependência. Até somos capazes de compreender
uma certa reserva da opinião pública, tendo em conta as eventuais
dificuldades que algumas sociedades estão a passar.
O que me é difícil de aceitar é que estamos a falar da vida e futuro
de algumas centenas de seres humanos, na sociedade luxemburguesa e não
de bichos fechados num zoo de qualquer “república das bananas”. O
que está em causa é a prática da própria essência dos valores
humanistas que pretendemos preservar e que se podem revelar num simples
gesto de dádiva das sobras, que nos habituámos deitar para o caixote
do lixo, porque consumimos desmesuradamente.
O que é que nos está a acontecer, a nós e àqueles que nos governam ?
Que individualismo, egoísmo, ausência de sensibilidade e desamor, nos
levam a esta indiferença e a esta tolerância para quem trata o nosso
semelhante, pior do que um caixote de mercadoria.
É fácil criticar governos nos países democráticos. É preciso não
esquecer, no entanto, que eles e as suas determinações, são uma emanação
da nossa vontade e, nessas circunstâncias, somos todos responsáveis. n
Luís
Barreira
Maio
03
A
cena seguinte... Conselhos para um... Conselho
Toneladas
de palavras. Mentiras e verdades, à compita. Acontece sempre assim,
quando termina uma campanha eleitoral. Acontece sempre assim quando o
povo português da diáspora é chamado a votar e... não vota. Foi
assim nas eleições legislativas e presidenciais. Foi agora, também,
nas eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas. O Povo, uma
vez mais, sem saber o que responder quando o atacam, dizendo que não
sabe, não quer, não está interessado...
E o que se passou, agora, um pouco por todo o mundo, é o mesmo, afinal,
que se passa no Portugal inteiro quando das eleições. Enquanto uns
falam em “falência técnica” para caracterizar o estado a que
chegou o país, vêm outros, logo a seguir, com o mesmo semblante a
tentar dourar a pílula, mas a afirmar que... não senhor, o país nunca
esteve tão bem. E, naturalmente, por cá, as coisas repetem-se.
Cá de longe, vemos e ouvimos. Com mágoa, na maior parte dos casos. E
com a certeza de que, de facto, tudo poderia ser melhor. E como as
coisas são o que são, e não se vêem melhorias de estilo ou de facto,
os de fora - quase metade da população portuguesa - vai entrando num
“não te rales” confrangedor que não vai a lado algum, a não ser
ao cortar do cordão umbilical que os ligava ainda à Pátria-Mãe
(madrasta). De resto, é até fácil o “corte”. Ainda não há
muito, um dos políticos mais mediáticos que esteve na berra, fazia autênticas
campanhas de persuasão para dizer aos portugueses residentes no
estrangeiro, que, “de facto o melhor era integrarem-se nos países de
acolhimento”.
Não era preciso dizê-lo, porque a maioria já o faz. Há menos de 200
000 portugueses residentes no estrangeiro a recensearem-se pelo sistema
português.
Se um Governo cuidadoso e criterioso quiser saber, ao certo, porque é
que as pessoas se estão marimbando... para Portugal, a despeito de
manterem no coração a saudade bem viva, hão-de entender. Visitem a
Venezuela, o Canadá e os Estados Unidos. Problemas diferentes. Comum
apenas o facto de que Portugal há muito se esqueceu dos seus filhos da
diáspora.
Sendo assim, esperavam o quê ? Mais pessoas a recensearem-se ? !
Esperavam, agora, que de toda essa gente, aqui no Canadá, para o
Conselho das Comunidades votassem apenas cerca de 3 000 pessoas ? !
Assim... o Conselho das Comunidades Portuguesas vai iniciar funções.
É capaz de não representar muita gente. Mas tem de fazer valer o seu
estatuto. Aconselhar... quem às vezes é capaz de nem querer o
conselho...
Fernando
Cruz Gomes
Maio
03
Portugal
e os Portugueses:
É preciso viver o futuro, se o presente é desagradável!
Uma
curta semana de férias em Portugal deu para perceber que continuamos a
ser um país diferente de qualquer outro. É como se, na procura de uma
identificação “sui generis”, para um país e o seu povo, Portugal
e os portugueses assumissem uma postura que desafia todas as leis económicas
e sociais e, tendo em consideração o próximo alargamento da União
Europeia e os investimentos portugueses nos novos países, até a lei da
gravidade parece estar em causa.
A inflação não pára de aumentar, atingindo superiormente as famílias
de baixos recursos. No entanto, continuam a construir-se e a serem
visitados por multidões, mega centros comerciais, onde estão presentes
as maiores marcas internacionais !
O barómetro de desenvolvimento, que é normalmente medido pelo volume
da construção, não pára de baixar. No entanto, mantemos um enorme
contingente de profissionais, portugueses e estrangeiros, ligados a essa
actividade e os preços da construção continuam a pautar-se pela
especulação que caracterizou o fim dos anos 90 !
A falência de empresas aumentou 25 %, em relação ao mesmo período do
ano anterior, atirando para o desemprego milhares de trabalhadores, não
preparados para novas actividades (se é que elas existem...). No
entanto, neste recente período da Páscoa, as cidades estavam quase
desertas, as taxas de ocupação dos hotéis do Algarve quase a 100 % e
os voos para o Brasil esgotados !
A receita fiscal do Estado baixou, contrariamente às expectativas do
governo e, nomeadamente, do seu Ministério das Finanças, mas
continuamos a afirmar que cumpriremos as nossas obrigações europeias.
Os comerciantes queixam-se que não vendem, as pessoas queixam-se que não
podem comprar, os trabalhadores queixam-se que não recebem e os patrões
que não podem continuar. No entanto a vida continua, os restaurantes
enchem e os novos modelos de viaturas rodam nas estradas.
Das duas uma ! Ou é verdade que o déficit do Estado e a consequente
política governamental que se seguiu, se transformou numa recessão
económica, muito mais difícil de recuperar, atendendo ao atraso económico
do País, face aos seus pares e ao fim das “vacas gordas” europeias,
ou não é verdade e toda esta falácia se destina a que sejamos
considerados internacionalmente dignos de pena e, enquanto
“coitadinhos”, possamos beneficiar das ajudas exteriores à manutenção
das superficialidades a que nos habituámos.
Não pondo de parte a totalidade da segunda hipótese, estou mais
convicto da primeira, mas,... com algumas diferenças.
A avaliar pelos indicadores económicos, acima de qualquer suspeita,
Portugal está mesmo no meio de uma profunda crise económica. E isto não
é culpa do actual governo e, até me atreveria a dizer, que não é
culpa de nenhum governo em particular.
O actual estado de coisas é consequência da falta de ideias e da
coragem para concretizar um verdadeiro projecto de desenvolvimento
nacional, que esteja para além de uma legislatura, de um combate
eleitoral, de alguns votos perdidos e que necessita de alguma pacificação
política, entre os partidos existentes, a bem do todo nacional.
Mas então porque é que os portugueses continuam a proceder como se
nada se passasse ?
Pela simples razão de que os portugueses não são todos iguais: há os
que sempre compreenderam que não podem ter acesso, a muito do que é
essencial a uma vida digna ; há outros que pensaram ter adquirido um
estatuto social imutável e que agora se vêm a braços com a ginástica
quotidiana da manutenção das aparências e há os que acumularam
suficiente riqueza para viverem em desafogo, mesmo que a actualidade dos
seus negócios não seja florescente. Há ainda outros, aqueles que não
têm preocupações desta natureza, mas esses não contam para a estatística
do povo.
O que é curioso, no meio de tudo isto, é que, uns e outros (à excepção
dos que perderam a esperança), consideram esta crise passageira, uma
pequena nuvem que vai passar muito em breve (talvez já a partir de
2004...) e que tudo voltará a ser como dantes, ou melhor! Razão pela
qual há que manter o “estilo de vida” e aproveitar este período
para proceder a algumas rectificações no “tiro” e procurar mais
uns “furos”.
Se este governo se comportar como todos os outros e, em vésperas de
eleições, “abrir os cordões à bolsa”, sem que tenha sido
arrumada a máquina produtiva do país e a despesa do Estado, então os
portugueses têm razão !
Luis
Barreira
Maio
03
O
que todos nós deviamos saber sobre o Iraque:
A origem da nossa civilização
Foi
ali que tudo foi inventado, naquele país outrora chamado Mesopotâmia,
que quer dizer terreno entre dois rios, (o Tigre e o Eufrates), que
nasceu a Escrita, a Matemática, a Astronomia… quer dizer o berço da
cultura para todos e sobretudo para nós, os Ocidentais.
Aí nasceu portanto, há mais de 8 000 anos, a civilização que
forneceu à Europa, todas as bases sobre a Escrita, a Matemática, a
Astronomia, as Artes.
Babilónia, no reinado de Nabucodunosor, criou a língua falada por
Jesus Cristo.
Também a agricultura, aparece já e bem desenvolvida desde o X milenário.
A ourivesaria começou a ser trabalhada na Mesopotâmia, 3.000 anos
antes do nascimento de Cristo.
Dominada pelos gregos, romanos, partas, os impérios sucedem-se uns aos
outros, os homens vivem, morrem, não restando nessa altura senão ruínas,
inscrições em placas de argila, jóias, estatuetas, tudo partido,
fragmentado, mas preciosos para a Ciência e para o Espírito.
Os séculos VIII e XII, representaram a idade de ouro dos pensamento e
das ciências no Próximo Oriente.
Durante esses séculos os Árabes e os Persas desenvolveram a Álgebra,
aperfeiçoaram a Medicina e a Cirurgia, consagraram-se à Geografia, à
Etnografia e à Filosofia.
Foi em Medinet-al-Salaam (ou seja a cidade da Paz), criada em 762, que
se escreveram alguns originais dos textos bíblicos. Medinet-al Salaam,
foi a cidade que deu origem de Bagdad, antiga cidade da Cladeia de Abraão.
A queda do Império Otomano em 1922, conduz à divisão da Mesopotâmia
e à criação de um estado moderno, o Iraque, correspondendo ponto por
ponto à visão dos colonizadores europeus.
10 000 sítios arqueológicos e um património mundial, único, donde
uma grande parte se encontrava no museu de Bagdad, foi hoje, destruído
ou roubado.
A destruição mesmo involuntária dos sítios importantes do património
cultural iraquiano, pelas bombas anglo-americanas, pode ter graves
consequências a longo termo, mesmo se os culpados não têm a noção
disso, pois não é aconselhável de bombardear e destruir o seu próprio
berço cultural.
Durante o regime de Saddam Hussein, inúmeros bairros antigos, foram
deitados abaixo para construir largas avenidas que só desfiguraram a
capital. O lindo jardim ao longo do rio Eufrates, foi transformado em
1980 em aeroporto militar pelas empresas jugoslavas.
E agora esta guerra vai acabar com o resto, apesar dos esforços de um
grupo de universitários e juristas especializados em História de Arte,
ter alertado os militares do Pentágono, no princípio de 2003, sobre a
necessidade de proteger as relíquias da civilização iraquiana.
O historiador e especialista de Arte, Henri Stierlin faz-se e faz-nos
esta pergunta : será um cinismo chocante de nos inquietarmos sobre as
obras-primas em perigo, quando tantos homens morreram ? Somente ninguém
nos obrigou a escolher esta situação… e lá disse o grande poeta
Heinrich Hein : “aqueles que queimam livros, acabarão por queimar
homens”.
M.F.
Martins da Cruz
Abril
03
Em
cada esquina um amigo
No
passado Domingo 16 de Março, mais uma vez tive a prova de que nesta
vida tudo é um eterno retorno.
Não há dúvidas que o
tempo passa e que os homens continuam a estragar rapidamente o que leva
anos a construir.
Pelo menos é o que vou constatando ao analisar as acções de quem
governa o nosso país. Não tento aqui alargar a observação a tudo
quanto se passa em Porugal, falta-me tempo e espaço, além disso, também
não quero acabar completamente deprimido, nem contagiar aqueles que me
lerão, tantos são os factores negativos que nos são impostos desde
que o actual Governo entrou em acção.
Estou a pensar principalmente na triste actualidade que foi a caução
avassaladoura para todos nós, que “Portugal” deu à política
imperialista de Bush, que lança o Mundo numa guerra sem nexo, com
cheiro a sangue e a petróleo, de cujas consequências todos vamos
sofrer.
Só queria aqui falar no que se passou no Domingo 16 de Março em Paris.
No 16° bairro da rua de Noisiel ficou intransitável uma boa parte da
tarde : Operação “Embaixada fechada” !
Mas porquê ? Porque meia dúzia (eram 150) de portugueses de França
vieram manifestar contra a reestruturação dos Consulados, que conduz
ao encerramento de quatro deles, e pedir audiência ao Senhor Embaixador
!
Rezultado : seis carrinhas da polícia na rua Noisiel, todas as ruas
adjacentes cortadas à circulação e ao acesso dos não residentes, em
cada esquina dezenas de agentes en uniforme de intervenção, num
dealbar de forças que provocaram gargalhada geral na massa dos
agressivos manifestantes, que são os nossos patrícios, como ninguém
ignora !
Passado este momento de riso - onde alguém perguntou se eram os
portugueses ou os polícias que manifestavam - e todas as proporções
guardadas, veio-nos à memória, a lembrança escura, do Portugal
triste, do tempo do fascismo.
Uma delegação foi recebida, a resposta que nos foi transmitida era lacónica
: “está decidido, não se volta atráz, vamos encontrar algumas
alternativas para os Consulados que fecharão…” e boas vendas !
Mas é mesmo assim meus amigos. Só quando na Nossa Terra, os Nossos
compatriotas perceberem que somos aqui 10% da população do País, que
representamos a sua maior fonte de receita, e que indubitavelmente somos
a única verdadeira ponte cultural entre Portugal e a França, com
capacidade de acção e orgulho de ser portugueses, só nessa altura, é
que se farão estudos antes de fazer restruturações, se farão contas
antes de aumentar emolumentos, se prestará atenção aos cidadãos
antes de chamar a polícia.
Aurélio
Pinto
Abril
03
Terroristas...
e terrorismos
Quando,
em 15 de Março de 1961 - há que tempos isso lá vai! - deparámos com
toda a tragédia do norte de Angola, aprendemos, então, uma palavra
nova: terroristas. Eram terroristas os que faziam tudo aquilo. Os que
matavam indescriminadamente. Os que violavam. Os que abriam meninas
desde as partes baixas até à boca. Nós vimos tudo isso. Ninguém nos
contou. Não lemos em livros. Vimos.
Os poderes instituídos de então chamavam àqueles homens que iniciavam
a tal " luta " terroristas. O terrorismo começava, então,
para nós, a ser algo hediondo. Avassaladoramente hediondo. Os poderes
instituídos de então responderam ao terrorismo... com uma luta sem tréguas
nem barreiras. A que se chamou, também, terrorismo.
Aos poucos, porém, vimos outras formas de terrorismo. Aprendemos à força...
a entender outros terrorismos. E a isso nem escapou uma "
reciclagem " que fizemos à imagem que tínhamos acerca da primeira
bomba atómica - a arma-" mãe " de todas as armas de destruição
maciça - que fizeram deflagrar por sobre Hiroshima e Nagasaky.
O terrorismo continuou a ser algo de hediondo. Avassaladoramente
hediondo. Mas... ganhou contornos diferentes. E teve " faces "
também diferentes. Até porque os terroristas de então - 15 de Março
de 1961 e outras datas que se lhe seguiram - são hoje os "
senhores todo poderosos " daquele País que (ainda) amamos.
Sentam-se em cadeiras de deputados. Sobraçam pastas ministeriais.
Atiraram-se para as escadas do Poder máximo.
A " reciclagem " que fizemos ao conceito de terrorismo
continuou. E mesmo hoje, que há outros ismos cada vez mais poderosos...
ainda nos interrogamos sobre o que é ser terrorista.
Há dias, a Imprensa atirou-nos para a mente com uma frase que não
deixa de nos matraquear o pensamento. O senador norte-americano Robert
Byrd escreveu: " Hoje choro pelo meu país. Depois da guerra temos
de reconstruir mais do que o Iraque. Temos de reconstruir a imagem da América
um pouco por todo o mundo". Reconstruir a imagem da América? - O
que temos, de facto, é de reconstruir a palavra e o conceito de
terrorista. Se o fizermos a tempo... ainda somos capazes de evitar que
um pensador espanhol de que nos não lembramos o nome tenha razão
quando diz não saber ao certo como iria ser a terceira guerra mundial.
Sabia, isso sim, como seria a quarta guerra mundial. E essa, na sua óptica,
seria... a paus e pedras, porque a terceira acabaria com tudo.
O conceito de terrorista. O conceito de pundonor. O conceito de "
ser " homem justo. Talvez evitasse até - e nós sabemos que é
capaz de não ter nada a ver com o que deixamos escrito... - que, há
dias, logo após a cimeira das Lajes, na página oficial da Casa Branca,
Aznar aparecesse como presidente da Espanha, que é (ainda) uma
Monarquia. E que Durão Barroso aparecesse como... Durão Burroso! Está
lá escrito!
Fernando
Cruz Gomes
Abril
03
"Guerra"
ao automóvel!
A
cidade do Luxemburgo e os seus cidadãos, tal como outras cidades do
mundo considerado desenvolvido, debatem-se com graves problemas de
circulação e de poluição do meio ambiente.
A concentração de pessoas em torno das grandes cidades, em consequência
da concentração dos respectivos empregos, tem criado autênticos
dramas quotidianos, a quem tem de chegar a horas aos seus empregos, a
quem tem de respirar o ar das grandes metrópoles e a todos os que
tentam preservar a qualidade de vida, indispensável aos seres vivos que
habitam o planeta.
Algumas cidades do mundo industrial têm optado, timidamente, por
medidas restritivas à circulação.
Nalgumas, optou-se por criar um direito de circulação, no centro das
mesmas, jogando em alternativa com os números, par ou ímpar, das matrículas
dos veículos.
Outras, decidiram proibir a circulação, em certos momentos do ano.
Noutras proibiu-se, definitivamente, a circulação dos veículos
privados, no centro das cidades.
Noutras, ainda, tomaram-se e tomam-se medidas, para desencorajar os
particulares a trazerem as respectivas viaturas para o centro das
cidades, através de uma fiscalização cerrada, sobre a ocupação dos
parques de estacionamento de rua.
Até aqui tudo bem! Se os ritmos de produção, a que as sociedades
modernas estão habituados, forem compatíveis com o ritmo e eficiência
dos serviços públicos de transportes, se as entidades patronais forem
tolerantes com a dependência dos cidadãos, face às contingências
desses transportes e se isso não corresponder a um muito maior sacrifício,
económico e de tempo, dos trabalhadores, acho que todos devemos encarar
estes fenómenos de civilização, com uma atitude compreensiva e
voluntarista.
Na cidade do Luxemburgo já há muito que nos habituámos a viver a
contra-parquímetro, ou seja, contra o relógio destas maquinetas
modernas de controle de estacionamento e dos seus zeladores funcionários
“caça-multas”, que fazem da sua actividade uma autêntica
“espera” aos automobilistas incautos.
O que é novo nesta cidade é que, o seu responsável máximo, decidiu
alargar a toda a periferia da mesma, a aplicação de estacionamento
pago,... e a que preço!...
Uma medida que, à primeira vista, se justificava, pe-rante o comodismo
de muitos de nós, em trazer desnecessariamente as viaturas para o
centro da cidade, veio a revelar-se como uma das formas supremas de
financiamento da administração pública da cidade, penalizando
igualmente os cidadãos que estacionam as viaturas, em áreas não
saturadas de trânsito.
Neste embrólio de justificações penalizantes e contra-indicações à
circulação, em que o automobilista paga impostos para comprar carro,
impostos para circular, impostos sobre o combustível que utiliza,
impostos de estacionamento e seguros cada vez mais elevados, um destes
dias alguém se lembra de criar um imposto sobre o número de vezes em
que utilizamos a nossa própria viatura e, para ser coerente, um imposto
que seria mais caro de dia, do que de noite.
(Se calhar não devia ter dito isto?! Ainda alguém se lembra de aplicar
mais este imposto!...).
O que interessa aqui sublinhar e para que se compreenda o à vontade com
que esta medida vai ser posta em prática, pelo cidadão eleito para
gerir os destinos da cidade do Luxemburgo é que, a intensidade do tráfego
no centro da cidade, é provocada necessariamente por quem não habita
nela, ou seja, quem vem obrigatoriamente de fora. E,... nas eleições
para a autarquia, esses não contam!
Luís
Barreira
Março
03
A
RTPi não aproveitou a maré de... remodelação
A
RTPi entrou em devaneios. Em sonhos. Talvez a pensar que uns e outros são
- ou podem vir a ser - realidade. Para já, numa eufemisticamente
chamada “nova grelha de programação” atira cá para fora com
coisas e loisas que mais parecem uma mexurafada de respostas a críticas
e mais críticas... mas sem vontade nenhuma de cumprir. Fala em
interactividade entre os portugueses radicados no estrangeiro e
Portugal, chamando a isso uma grande aposta.
A grande aposta é, afinal, tão somente uma ligação mais forte ao
Canal 1, com vários programas a serem transmitidos em simultâneo. Isto
é, passa a “dar” coisas com preços mais baratos. Sim, porque os
programas da RTP 1 já estariam pagos, não custando muito mais que o
preço do satélite que já se pagava de qualquer modo.
Despudoradamente, anuncia-se logo que esta será a resposta da televisão
estatal a uma reivindicação antiga dos portugueses que residem no
estrangeiro, que se “queixavam de que a programação não era
actualizada com a que passava em Portugal”, como disse o director de
programação daquela coisa. Talvez que agora se possa começar a ver,
também, qual a temperatura em Freixo-de-Espada-à-Cinta...
Pelos vistos, na óptica daquela gente, o que é preciso é dar aos
portugueses residentes no estrangeiro tudo o que se passa em Portugal.
Unilateralmente. O que é preciso é atirar cá para fora com tudo o que
os portugueses residentes no estrangeiro não ti-nham. Decerto que para
isso vão fazer melhor programação que as melhores cadeias de televisão
do estrangeiro ! Desde as as 07h00 até às 16h30 a emissão é simultânea
para a RTP e a RTPi, sendo retomada entre as 20h00 e as 21h15.
Neste contexto, não poderia fa-lhar o “Portugal no Coração”. Sim,
porque é disso que todos nós precisamos. A saudade é tão forte, tão
forte, que até nos vai ser mitigada com esta coisa, que pretende ser um
ponto de encontro entre todas pessoas que residem em Portugal e os
portugueses que residem no estrangeiro. Isto é que é serviço público.
Dar, dar, dar...
Ninguém cuidou de saber que, no cerne da RTPi estava implícita uma
referência a uma chamada “triangulação da Informação”.
Que poria a saber, em Lisboa, o que se passava em Paris e nesta o que se
passava em Toronto, Rio de Janeiro, Newark ou Caracas. Para uma RTPi, o
mínimo que se poderia exigir era, de facto, alargar o leque das presenças
e pôr assim os portugueses de todo o mundo a dialogar entre si.
E se um dia... sonhassem pôr no ar o Telejornal Nacional seguido de um
complemento das comunidades, feito, directamente, de comunidades com uma
população portuguesa expressiva?!
- Seria erro, certamente, não?! - É que por essa via, os Portugueses
residentes em Portugal... conheciam melhor os Portugueses que vivem
fora.
E vice-versa. Pelos Para isso continua uma coisa chamada
“Comunidades” que, uma vez por semana, diz o que se passa aqui e além,
em comprimidos de segundos e mesmo assim com a “prata da casa”, isto
é, com retalhos do que eventualmente se usou nos Telejornais (que não
nos tirem ao menos esses, que são, afinal, do me-lhor que há) ou nos
programas similares dos Açores e da Madeira. Porque, directos ou
“vividos” nas comunidades contam-se pelos dedos de uma só mão...
A única coisa que nos apraz salientar foi o que chamam de reforço
“dos laços com a Madeira e os Açores” com a emissão do telejornal
produzido nos dois arquipélagos.
Palmas para a iniciativa, que pecará, eventualmente, apenas e só, por
não fazerem também a tal triangulação de informação, uma vez que
os Açores e a Madeira também não têm correspondentes nas
comunidades. De qualquer modo, trata-se de algo que merece encómios. Já
não era sem tempo.
Os custos de uma programação assim, naturalmente que serão muito
menos elevados. A não ser, evidentemente, que queiram agora guardar em
prateleiras douradas alguns dos que faziam a RTPi... da outra forma.
Ah... não se esqueceram de dizer que a RTPi chega “a mais de 60 mi-lhões
de espectadores”. O que, certamente, não foi (nem será) provado.
Potencialmente.... poderia chegar. Até porque a RTPi transmite - e aí
acreditamos - para cerca de 38 países de todo o mundo. Uma vez mais...
perdemos a oportunidade de fazer uma programação a sério... para uma
parcela de portugueses também a sério. Daqueles que não querem ser
nivelados por baixo.
Fernando
Cruz Gomes
Março
03
A
emigração transoceânica perdida na distância
Fevereiro
28 é a data limite para a entrega de candidaturas à eleição do
Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), que se realizará no
domingo, dia 30 de Março de 2003. De acordo com o disposto na Portaria
n.º 147-A/2003, emitida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e das
Comunidades Portuguesas, e que define a composição dos círculos
eleitorais para a referida eleição, a comunidade portuguesa fora da
Europa poderá eleger 59 dos 100 conselheiros que irão constituir o
novo Conselho.
Como é do conhecimento geral, de acordo com os dados do Ministério dos
Negócios Estrangeiros, Direcção Geral dos Assuntos Consulares e
Comunidades Portuguesas, a emigração transoceânica representa cerca
de 71% de toda a diáspora portuguesa.
Contudo, aquela Portaria parece contestar esse facto, com base
numa suposta nova realidade de números que foram transmitidos ao Ministério
pelos vários serviços consulares portugueses espalhados pelo mundo.
Essa nova (ir)realidade aponta para uma percentagem de representação
transoceânica no CCP de apenas 59% (uma perda de 13 conselheiros),
enquanto que a da Europa sobe de 28% para 41% (uma subida de 13
conselheiros). Será que houve algum engano ?
Ou será que os nossos governantes, em quem devemos depor toda a
nossa confiança, nos andam a enganar a todos ?
Embora os dados populacionais aqui referidos não se encontrem
convenientemente actualizados, a informação serve para nos dar uma
ideia base da disparatada disparidade agora criada pela Secretaria de
Estado das Comunidades Portuguesas no tocante à tão prometida e
desejada homogeneidade de representação da diáspora portuguesa no
CCP. Este quadro vem
demonstrar, sem qualquer equívoco, a incapacidade dos serviços
consulares em assegurar uma informação devidamente actualizada e fiável,
demonstrando também a negligência e a ineficiência do Governo na
prestação de serviços às comunidades portuguesas.
E vem confirmar, uma vez mais, a necessidade urgente de uma política
adequada e despartidarizada para as comunidades portuguesas, para que os
sucessivos Governos da República possam dar cumprimento aos princípios
da igualdade consignados na Constituição.
A Constituição Portuguesa determina, na alínea b) do Artigo 9.º, que
uma das tarefas fundamentais do Estado é “promover o bem-estar e a
qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses”. E,
mais adiante, no seu Artigo 13.º, assegura que “todos os cidadãos têm
a mesma dignidade social e são iguais perante a lei”.
Acontece, porém, que em 1997, o então Secretário de Estado das
Comunidades Portuguesas, José Lello, enviou uma directiva a todos os
Consulados para que fossem eliminadas (ou destruídas) todas as inscrições
consulares que não haviam sido movimentadas nos últimos 25 anos.
Essa decisão arbitrária (e diria até ilegal e
inconstitucional) do Governo veio prejudicar enormemente a representação
no CCP dos portugueses que residem fora da Europa.
É bem sabido de todos que a emigração portuguesa na Europa tem tido,
ao longo dos anos, um tratamento preferencial por parte do Governo
português (basta ver o número de postos consulares existentes no velho
continente, em relação aos outros).
As facilidades concedidas e a relativa proximidade dos serviços
consulares na Europa têm proporcionado aos emigrantes portugueses que lá
residem uma mobilidade extraordinária, para além de outros benefícios,
que não vou aqui focar para não prolongar esta pequena dissertação. Estas facilidades têm dado azo a que muitos portugueses, nos
últimos 25 anos, se tenham inscrito em vários Consulados (e recordo
aqui o depoimento do próprio Carlos Luís, deputado pela Europa, que
admite ter mantido várias inscrições consulares naquele continente)
sem que se tenham tomado, até este momento, as devidas precauções
para eliminar as duplicações ou triplicações existentes.
Com tudo isto, quero eu dizer que os mesmos apoios institucionais
existentes na Europa não se repercutiram nos outros continentes onde a
emigração portuguesa é bem mais numerosa (71% de toda a diáspora
portuguesa). Essa
desproporcionalidade, deficiência, ou propositada ineficiência dos
sucessivos Governos portugueses, no que respeita à prestação dos
mesmos serviços às populações transoceânicas, continua em evidência,
discriminando os cidadãos e contribuindo para o facto de muitos
portugueses não poderem deslocar-se aos poucos e longínquos postos
consulares para usufruir dos seus serviços, deixando por actualizar as
suas inscrições.
Para além desta discriminação, apareceu, para cúmulo, a injusta (senão
inconstitucional) directiva de José Lello a aumentar ainda mais a
desigualdade já existente entre os portugueses que o mar separa. Digo: que nem só o mar separa...
Sabemos que estas coisas não acontecem por acaso, porque o abandono
sistemático da emigração portuguesa transoceânica já vem do tempo
do Estado Novo e continua até aos dias de hoje, como se a nova
Constituição não existisse, como se os portugueses fora da Europa
tivessem perdido a sua nacionalidade (outro assunto que dá pano para
mangas...). Desde a
implantação da nova Constituição, os sucessivos governos da República
Portuguesa têm, neste e noutros aspectos, praticado criminosas afrontas
ao espírito da Lei, de forma impune e com o aval de grandes
constitucionalistas portugueses, ao abrigo do conceito da
territorialidade, um palavrão que não passa de uma disfarçada forma
de discriminação por parte dos que recusam (re)conhecer a nação
portuguesa existente para além do rectângulo que delimita as
decadentes fronteiras políticas do país.
Tudo isto para dizer que os portugueses se vão afastando cada vez mais
uns dos outros, porque não temos tido governos (ou políticos)
suficientemente capazes de respeitar o espírito da própria Constituição. E assim vamos vivendo, com leis e portarias discriminatórias,
aprovadas à beira da inconstitucionalidade, por políticos que há
muito desprezaram esta emigração transoceânica que, a pouco e pouco,
vai desaparecendo na distância.
Ottawa,
Canadá,
António Fernando Ázera da Silva
Membro do CCP
Outubro 02
Em
Portugal agora, tudo é permitido ou quase
E,
a vida, é o tempo igual como que alguém - pensando salvar--se - se
assentasse num icebergue desprendido da banquisa, no mar, direcção
mais a sul, visto do lado do Árctico, claro.
Não há liberdade sem responsabilidade. É o principio fundador das
sociedades democráticas.
Observações relâmpago ao acontece.
No jornal 24 horas do 13 de Julho uma informação de bradar aos céus.
6 GNRs, assaltados e agredidos. A GNR, atacada ? É mesmo para meditar.
Isto existe !?
No Jornal Público de 14 de Julho. Dois operários morreram num túnel
da Madeira - a tarefa dos jornalistas não foi nada facilitada e um repórter
fotográfico foi mesmo agredido a pontapé. Proibido informar, claro.
Lucros do Santuário de Fátima cresceram e - rondam os 8 milhões de
euros anuais. E, muitos lares sociais se construiriam.
No jornal Notícias de Viana de 4 de Julho. - Os inimigos de Viana estão
em Viana. Então, agarrem-nos já, porque esperam, se assim o são ?
Ou então, não o são !
A Inspecção Geral de Saúde encerrou a III Feira Gastronómica de
Viana. O efeito das vacas loucas se é equivalente ao da queda das
torres gémeas de Nova Iorque, convém já, procurarem os terroristas
que são contra a nossa saúde.
Celeste Cardona, a Ministra da Justiça quer a justiça mais rápida.
Então, por quem, ela espera ?
No Notícias de Viana de 11 de Julho com o titulo, - a Romaria da
Senhora da Agonia é - O principal emblema de Viana -. Festas e festanças
em nada ajudam o cidadão. A renovação de todos os caminhos das
freguesias do Concelho, isso sim, seria o Maior Emblema da Capital do
Alto Minho.
Num parágrafo, o Governador Civil, em Viana, afirma que há uma
mentalidade marcada pela inveja e pelo egoísmo, sendo estes factores os
que mais contribuem para o tal estado de situação. Situação
deslavrada acrescento eu, na região e no País.
No Monte do Castelo de 7 de Julho, no artigo - Sem Comentários -
explica o autor, - um exemplo de dança -, do folclore português, sem
caracter elementar e sem intercâmbio respeitador.
Em Chafé, o nosso amigo Zé Silva, desde há anos e cada vez mais hoje,
virou-se para reportagens ou temas em nada relacionados com a própria
freguesia que intelectualmente ele representa.
Apresenta temas sobre a Z I, Ok tem razão ! Mas esta, com área a 90%,
em Neiva.
Nada expus também, sobre as resoluções da assembleia de freguesia do
27 de Junho. Então, como é, Zé !
Depois, fala das cerimónias fúnebres e do monopólio da Igreja Católica,
correcto e, também da sopa, como remédio contra o cancro. Em vez de
sopa, também pode ser leite, iogurtes, fruta, peixe, carne, legumes,
mas, sobretudo, em qualidade e não em quantidade.
Não contesto, mas, Chafé, é prioridade máxima. De notar ainda que, não
existem fotos reportagens no Monte Castelo.
Em constatações, constata-se uma verdade - que não deveria ser - que,
- só o ladrão tem segurança num mundo capitalista. É o que acontece
infelizmente por causa dos políticos serem incompetentes e desonestos.
A seguir, Chafé e Castelo passam a ter códigos em algarismos quase idênticos,
- o lugar de Lordelo deixa de existir para ser então, - 4935-587 -
assim como o endereço do jornal Monte do Castelo deixa de ser lugar de
São Tiago – para ser somente - 4935-573 - em vez dos lugares e dos
apelidos dos caminhos que melhor respeitariam a memória colectiva dos
habitantes de ambas as freguesias. Valha-vos, Deus ! Não ?
No correio dos leitores, um cidadão ou qualquer outro, está proibido
de contestar a agressão sonora e algazarra de frente à sua residência,
em resposta, é atacado com garrafas de bebidas alcoólicas. Incrível
tal educação.
Na página do movimento religioso, homens reconhecidos nos deixaram.
Alguns, ainda em idades de gente nova, outros depois de sofrerem em vida
nos seus últimos dias por causa da ganância de alguns filhos
incorrectos. Por outra, repare-se a não indicação da idade de 83
anos, na parte óbitos e, na de agradecimento, indicado somente - FAMÍLIA
- a Francisco de Brito do Rego , ao contrário de outros - A FAMÍLIA -.
Mesmo aqui, o ex melhor enxertador de Chafé, homem polivalente e um dos
mais intelectuais lavradores da freguesia, não teve as honras, de todos
os seus filhos - sem excepção - por causa de quem o sequestrou para
melhor o privar dos seus mais entes e assim melhor o espoliar. Em
Portugal, tudo é permitido ?!
No artigo - Serão aos Peixes - na última página. O nosso amigo Zé
Gonçalves explica alguns exemplos do caos ancorado na sociedade actual
em que ninguém respeita ninguém e, sobretudo as instituições públicas
e republicanas, estas, perderam a capacidade de agir, resultando deste
modo um mundo sofredor no planeta mais belo do nosso sistema solar.
Acrescentando ainda, actualmente como na maioria dos aspectos da nossa
vida, cada um, então, vai fazendo como quer e lhe apetece. Exemplo, de
frente ao km 4 da EN 13-3, uma cidadã de Chafé, construi um muro como
ela entendeu e sem autorização na parte do vizinho, violando a
propriedade alheia, e, de frente à estrada nacional 13-3. Ora, pergunto
; quem mudou a lei que era institucionalizada, há 25 anos ?
Portanto, haja quem diga o contrário, em Portugal, hoje, tudo é
permitido, basta haver dinheiro para pagar o mal ! Assim, podem haver
sequestros a pessoas, doações ou execução de procurações irrevogáveis
ou testamentos, sem que o donatário se desloque ao notário, atestados
médicos sem haver consulta médica ao enfermo. Isto é viver normal de
seres VIVOS ?
Apelo, ao Estado Português, aos responsáveis das Instituições Públicas,
aos executivos das Juntas e das Câmaras, para porem cobro a tais actos
de vandalismo a actuar no seio da sociedade.
E, assim vai Portugal. Para
todos os moralistas, intelectuais, humanistas e responsáveis da Nação
Portuguesa, apelo mais uma vez ; não deixem Portugal cair nas trevas,
quando se sabe que Portugal é um belo País e muito propício para o
bom viver. O ser Humano, comporta-se muito mal !
Um
cidadão de Chafé que, só pretende viver a vida em harmonia e amizade.
José
Rego
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